Freire rompe e atira: “Eduardo está perdido, não é candidato, Siqueira foi maior decepção e governo acabou” | Luis Antonio 13



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Deputado diz que foi excluído do PSDB e que governo proibiu liberação de emendas dele e de seus colegas Marcelo Lelis e Luana Ribeiro

Cleber Toledo Da Redação

Acabou em definitivo o relacionamento do deputado estadual Freire Júnior (PSDB) com o governo Siqueira Campos (PSDB). Ele se disse excluído da nova executiva estadual do PSDB, sua assessoria teria ouvido do sub-secretário de Relações Institucionais, Nelson Torezani, que emendas dele e dos deputados estaduais Marcelo Lelis (PV) e Luana Ribeiro (PR) estão com liberação de emendas vetada; e, na sua avaliação, a administração Siqueira Campos “acabou”. “O Siqueira foi a maior decepção da minha vida, e o Eduardo Siqueira está perdido, com o baú de política fechado e só com o baú de maldades e perversidades aberto”, atacou Freire.
O deputado afirmou que a validade da comissão provisória do PSDB venceria no dia 30 de maio. Freire ensaiava sua candidatura a presidente da legenda, quando foi surpreendido semana passada com a informação de que a comissão foi substituída pela Executiva Nacional com data de 30 de abril e que ele estava fora. O empresário Ernani Siqueira foi mantido na presidência. “Isso me deixa livre para escolher um novo partido, porque houve uma grave discriminação contra mim, e a legislação sobre fidelidade partidária me permite, nesse caso, deixar o partido”, afirmou.

Foto: Assembleia

“O governo acabou e não dá mais tempo de deslanchar. E não tem uma obra pelo Estado”

Segundo Freire, esse episódio mostrou que o PSDB não cumpre o próprio estatuto. “Mudaram a comissão a seu bel-prazer, e foram tão cínicos que tiraram o Siqueira e colocaram o Alex [Siqueira Campos] para não dizer que só tiraram o Freire”, disse o parlamentar, que contou ter sido substituído na comissão pelo deputado Carlão da Saneatins.
Freire afirmou que tem convites de vários partidos, inclusive do PMDB, do qual ele e seu pai, o ex-deputado federal José dos Santos Freire, são membros históricos. “Me sinto desmotivado para continuar no PSDB”, admitiu o parlamentar.
Emendas vetadas O deputado disse que foi procurado pelo prefeito de Fortaleza do Tabocão, Flávio Soares (PSD), e o enviou, com seu chefe de gabinete ao sub-secretário de Relações Institucionais, Nelson Torezani, porque tinha uma emenda de R$ 40 mil para a Festa do Bonfim da cidade. Conforme Freire, o prefeito e seu chefe de Gabinete ouviram de Torezani que as emendas do deputado e de seus colegas Luana Ribeiro e Marcelo Lelis não poderiam ser liberadas. “Entre as emendas empenhadas para Tabocão, só poderiam liberar as dos deputados Stalin Bucar [PR] e Vilmar do Detran [PMDB]”, disse Freire. “São os deputados que estiveram no palanque dos adversários em 2010, quando eu, Luana e o Lelis estivemos no palanque dele [Siqueira].”
O parlamentar afirmou que entrará na semana que vem com uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) instituindo no Tocantins o orçamento impositivo. “Para que o Executivo realmente cumpra seu papel, que é executar o orçamento, e vamos fazer isso sem engessar o governo em relação às incertezas da economia e à dependência que tem dos recursos da União”, disse.
Para ele, “emendas parlamentares não se discute, se cumpre”. O deputado ainda contou que estuda com seus advogados uma ação na Justiça para obrigar o governo a cumprir as emendas empenhadas. .” __________________________________________
O Siqueira que tomou posse foi outro, foi o mesmo ditador que combati no passado. Sem educação, tratando mau as pessoas, discricionário” __________________________________________
Jogo bruto Freire rebateu declarações do secretário de Relações Institucionais, Eduardo Siqueira Campos, de que usa os mesmos critérios do governo federal para liberar as emendas. “Não é verdade. Aqui o critério é o da retaliação a quem critica. Critiquei o governo, mas nunca votei contra. Votei até mesmo a favor da reforma administrativa mixuruca, tímida que não trouxe nenhuma economia aos cofres públicos”, disse.
Para ele, o governo federal libera emendas com prioridade para os parlamentares de sua base, mas também não deixa de atender a oposição. “A relação é cordial, republicana, aqui é ditadura, com trator de esteira para cima para quebrar tudo. O jogo é bruto”, criticou.
Sem oposição Ele disse que esses fatos mudam a partir de agora sua postura na Assembleia Legislativa. “Não faço mais parte da base do governo, com quem estou rompido, e não me considero oposição porque o Estado não tem oposição. A oposição está acéfala”, avaliou. “É inevitável que tenha alguém que conduza, porque senão fica todo mundo batendo chifre.”
Segundo Freire, o PT não ocupa este espaço e o ex-governador Marcelo Miranda (PMDB), que o deputado disse que lidera as pesquisas para o governo, não tem conseguido aglutinar até por conta das divergências internas vividas pelo PMDB. Ainda conforme o parlamentar, o senador João Ribeiro (PR) também não tem conseguido encabeçar o processo porque enfrenta problemas de saúde, e a senadora Kátia Abreu (PSD) “está umbilicalmente ligada ao governo”. “O deputado Eduardo Gomes [PSDB], um grande articulador, deixou Brasília para ser secretário de Esportes, depois de ter sido secretário-geral da Câmara; não há um deputado estadual de expressão e o deputado Júnior Coimbra [PSDB] teve que se aproximar do governo para segurar sua situação por causa das contas desaprovadas pelo TCE [Tribunal de Contas do Estado]”, avaliou Freire.
Governo acabou O deputado avaliou que o governo Siqueira Campos “está perdido e vive numa arrogância”. “O governo se perdeu nas ações, no planejamento. Para se ter ideia, não consegue licitar os convênios de obras que já têm recursos garantidos desde 2011, autorizados pelo Senado e disponíveis na Secretaria do Tesouro Nacional”, criticou. “O governo está enrolado nos cabelos das pernas.”
Para ele, no primeiro ano de gestão, em 2011, houve um bom planejamento, mas “depois se perdeu”. “O Planejamento tem bons quadros, nomes fantásticos, como do secretário e ex-ministro Flávio Peixoto, mas ele está amarrado de pés e mãos, sem nenhuma autonomia.”
Freire defendeu que “o governo acabou e não dá mais tempo de deslanchar”.”E não tem uma obra pelo Estado, e agora vai piorar porque estamos em junho e no ano que vem, por ser eleitoral, há restrições da legislação para assinar convênios e liberar convênios”, avisou.
Conforme o deputado, “não há convênios com os municípios”. “Os prefeitos estão todos insatisfeitos, é só reclamação em nosso gabinete, porque o governo não se relaciona com as pessoas, não recebe prefeitos, nem parlamentares”, atacou. “Os prefeitos só tomam chá de cadeira de horas e mandam voltar no dia seguinte. Vivemos o caos.”
Eduardo não é candidato Freire Júnior avaliou que o secretário Eduardo Siqueira Campos, com quem disse não falar desde agosto do ano passado, não será candidato a governador em 2014. “O Eduardo é inelegível, ainda que seu pai renuncie, isso está no parágrafo 7º do artigo 14 da Constituição Federal, que fala que parentes consanguíneos até o segundo grau não podem ser candidato. Aí querem comparar com a história da Rosinha e do Garotinho, que não tem nada ver, é outro caso”, disparou.
Contudo, o deputado disse que ainda que Eduardo Siqueira pudesse, ele continuará dizendo que não é “pela forma de fazer política”. “Ele sabe o que é fazer política, e não está fazendo. Ele está com o baú da política fechado, e com o baú da maldade e da perversidade aberto. Ele não faz política, faz maldade”, atacou.
Para o deputado, Eduardo Siqueira Campos “está totalmente perdido”. “Ele não está agindo com seu instinto político e muito menos com sua competência administrativa e de articulação. Ou ele não tem!”, ressaltou.
Sem articulação Freire defendeu ainda que o governo não tem articulação política. “Ao ponto de ter colocado um suplente para ser seu líder porque nenhum outro deputado quis”, disse, numa referência ao deputado Carlão da Saneatins, líder do Palácio na Assembleia. “Quem está fazendo o papel de líder é o [Osires] Damaso, o Amélio [Cayres] e eu, porque o Carlão é uma excelente pessoa, um homem sério, tem uma excelente família, mas é cru, não sabe nada, sequer conhece o Regimento da Casa”, frisou o parlamentar.
Ditador e sem educação Ele afirmou que “se apaixonou” pelo Siqueira em 2005, quando o governador rompeu com seu sucessor, Marcelo Miranda. “Aquele Siqueira, por quem me apaixonei, era obstinado, se manteve firme e sofreu durante o Rced [Recurso contra Expedição de Diploma movido contra Marcelo Miranda]. O Siqueira que tomou posse foi outro, foi o mesmo ditador que combati no passado. Sem educação, tratando mau as pessoas, discricionário. Fui oposição a ele e serei de novo.”

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