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11O novo Diretor Clínico do Hospital Regional de Paraíso é o Medico Dr. Luis Antônio Faria Mota.

A eleição aconteceu no dia 07 de abril de 2015 dentro das dependências do próprio hospital ao longo do dia. Estavam presentes os componentes da comissão eleitoral os Médicos: Dr. Dener Gomes de Abreu, Dr. Hider Alencar, Dr. Jorge Ivan Alves Bezerra e como fiscais estavam as servidoras Najla Tenório Cardoso Araújo e Eliene Dias Castanheira. O mandato é de dois anos.

Quanto à gestão frente ao cargo, o medico Dr. Luis Antônio comenta seus objetivos: “O momento é desafiador. Aqui não será diferente. Tem de se criar instrumentos para nos mantermos oferecendo sempre serviços de qualidade. E o corpo clínico engajado nisso. Estamos num período delicado, de definição dos investimentos financeiros, avaliando medidas que vão ser adotadas. Aqui no hospital temos a intenção de reestruturar todos os serviços: desde a parte médica, a de apoio e também exames”.

Para cumprir esse objetivo o Dr. Luís Antônio salienta: “Sem a participação de todos os serviços e, principalmente do corpo clinico, não será possível alcançar os objetivos”.
O evento foi prestigiado pela Diretora Geral Waldineide Pereira de Franca, médicos, servidores, colaboradores, parceiros, convidados e pela fisioterapeuta Cynara Nunes Leão Mota – Diretora Administrativa do Hospital e sua Esposa.

 

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Na manhã do dia 29 de março, o Gerente Estadual de Políticas e Proteção do Idoso da Secretaria Estadual de Defesa Social – SEDES, Luciano Francisco (Professor Luciano), esteve na sede da AAPOPA – Associação dos Aposentados de Paraíso. O motivo da visita foi a busca por informações quanto ao conhecimento da entidade com relação à formação do Conselho Municipal do Idoso.

O gerente desde que assumiu vem dentre várias lutas dando uma atenção mais especial na organização e estruturação dos Conselhos Municipais da Pessoa Idosa, pois, segundo ele este é um canal efetivo de participação, que possibilizam o estabelecimento de uma sociedade na qual a cidadania não é mais apenas um direito, mas sim, uma realidade. E também é uma forma de estreitar a relação entre o governo e sociedade civil a partir da participação popular em conjunto com a administração pública nas decisões regentes na sociedade.

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O conselho também pode atuar na questão da fiscalização, falta de assistência e abandono, saúde através de levantamentos de dados que possibilite identificar as mais diversas doenças oferecendo assim melhor qualidade de vida para o idoso dentre outros. O conselho do Idoso, assim como todos os demais conselhos são auxiliadores do administrador público e parceiro do município para que a política pública seja a melhor possível e a mais próxima daqueles que necessitam.

Na oportunidade foi deixado o material de apoio com o passo a passo de como formar o Conselho Municipal do Idoso.

O Gerente de Políticas e Proteção do Idoso da Secretaria Estadual de Defesa e Proteção Social Luciano Francisco, junto com o Gerente de Políticas e Proteção do Deficiente Willimar de Jesus, estiveram presentes na audiência pública para discutir o projeto do Transporte BRT (Bus Rapid Transit – Ônibus de Trânsito Rápido). O evento, organizado pela Secretaria Municipal de Acessibilidade, Mobilidade, Trânsito e Transportes, foi realizado na noite de sexta-feira, 27, na Câmara Municipal de Palmas.

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Na oportunidade Luciano Francisco elogiou a estrutura do BRT e perguntou como seriam tratadas as políticas públicas para o idoso neste novo modelo de trânsito e questionou sobre a questão do passe livre para pessoa idosa. Em resposta foi feito um convite para participar da reunião com o Conselho Municipal de Acessibilidade, Mobilidade e Transporte.

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 Diversas autoridades compuseram a mesa de honra, entre eles, o senador da República Donizeti Nogueira (PT), Carlos Amastha (PP), presidente da Câmara, vereador Rogério Freitas (PMDB), o presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano de Palmas (IMPUP), Luiz Masaru Hayakawa, e o procurador geral do município, Públio Borges. Dentre outros.

 

Durante 2 anos a mídia tupiniquim bateu no Governo e na Petrobras, por que a gasolina não aumentava. Na verdade a política foi segurar os preços em um período de crise internacional, para que a inflação não fosse impactada. Agora, quando a Gasolina aumenta, a mesma mídia bate duro por que esta aumentando. E pela forma como as noticias são veiculadas, parece que a Gasolina no Brasil é a mais cara, ou das mais caras do mundo. E o povo cai nesta esparrela. Vai abaixo o resultado da pesquisa “Pain at the Pump: Gasoline Prices by Country”, realizado pela Bloomberg.

1º Turquia – R$6,61; 2º Noruega – R$ 6,61; 3º Países Baixos – R$ 5,80; 4º Itália – R$ 5,77; 5º França – R$ 5,72; 6º Suécia – R$ 5,67; 7º Grécia – R$ 5,49; 8º Portugal – R$ 5,43; 9º Hong Kong – R$ 5,36; 10º Bélgica – R$ 5,24; 11º Finlândia – R$ 5,22
12º Alemanha – R$ 5,13; 13º Irlanda – R$ 5,08; 14º Reino Unido – R$ 5,06; 15º Dinamarca – R$ 5,04; 16º Israel – R$ 5,53; 17º Eslovênia – R$ 4,99; 18º Malta – R$ 4,80; 19º Eslováquia – R$ 4,77; 20º Suiça – R$ 4,77; 21º Hungria – R$ 4,76
22º Espanha – R$ 4,75; 23º Áustria – R$ 4,39; 24º Rep. Checa – R$ 4,39; 25º Chipre – R$ 4,38; 26º Lituânia – R$ 4,38…
Nesta mesma lista o Brasil esta em quadragésimo lugar R$ 3,45. A pesquisa é feita periodicamente em 60 países. Como a pesquisa é em dólar, para calcular os valores em reais usei R$2,70 por dólar. 

posto ipiranga

Não bastasse isto, houve um avanço significativo no poder aquisitivo dos brasileiros. Então, só comparando:

Em 2002, no fim do Governo FHC : Gasolina R 2,25 e Salário Mínimo R$ 200,00. Com o Valor do Salário Mínimo se comprava 89 litros de Gasolina. Hoje: Gasolina R$ 3,45 e Salário Mínimo R$ 788,00. Com o Valor do Salário Mínimo dá pra comprar 228 litros de Gasolina.

Este mesmo poder aquisitivo permitiu que milhões de pessoas que nunca tinham tido um carro, hoje possam tê-lo. E são também consomem esta gasolina que não consumiriam, se não tivessem o carro, ou os carros, que compraram por que melhorou substantivamente o poder aquisitivo durante os governos do PT.

Então vamos parar com esta xurumela de reclamar que a Gasolina subiu. Quem tem carro, e eu não tenho, que se organize e planeje para gastar menos gasolina. Conheço muitos que reclamam, mas que não abrem mão do carro nem pra ir na padaria a duas quadra da casa deles.

E tem outra: O preço da gasolina não é tabelado. Hoje vi na rua preços diferentes em postos diferentes.3,29

3,19

Aliás, se quer reclamar, seria bom falar de um imposto, que esta na Constituição e que este sim deveríamos cobrar que os deputados regulamentem: O Imposto Sobre Grandes Fortunas. Se o Congresso Nacional 3,60regulamentar este Imposto, estará ai a possibilidade de subsidiar outras políticas, como o preço do óleo diesel, da energia, etc…

Outro dia publiquei aqui um artigo sobre o valor da Gasolina.Mostrei aqui, com dados do Bloomberg, que é falsa a ideia de que temos a gasolina mais cara do mundo. Quem tem dúvidas é só clicar no link e verificar. Tem um outro mito, que diz que a carga tributária do Brasil é a mais alta do mundo. Não é não. Na verdade a grande mídia só defende os interesses das grandes fortunas, que no Brasil pagam, (quando pagam), a menos carga tributária do mundo para grandes fortunas(Duvida? Clica neste link pra ler então). É que no Brasil os Impostos são regressivos, ou seja, recaem mais sobre os mais pobres e menos sobre os mais ricos, diferente de boa parte dos demais países que estão na lista comparativa do artigo doBlog Novas Cartas Persas, que publico abaixo.

Mitos são assim: alguém cria, outros repetem e os demais acreditam e passam adiante. E quanto mais a narrativa é ouvida sem reflexão, mais o mito se torna incontestável e se torna verdade. Também em economia os mitos existem. Mas raramente resistem à frieza dos fatos duros. Assim, o Novas Cartas Persas inaugura a seção “Mitos Econômicos Brasileiros”, que vai procurar justamente estimular a reflexão e o debate para desmistificar o senso comum construído e disseminado no noticiário.

Os primeiros três mitos da seção se referem à famigerada “carga tributária”, eternizada todo ano, em “recordes” registrados pelo diletante “impostômetro”, sempre uma boa pauta para os últimos meses do ano. Não raramente, as notícias do “impostômetro”, data de recolhimento de imposto de renda ou sobre carga tributária vêm também acompanhadas da opinião (sem fundamento) travestida de fato: “a carga tributária do Brasil, que é a mais alta do mundo…”; ou ainda “o brasileiro é quem mais paga imposto no mundo…”. E assim ficamos.

Não é beeeem assim. Estamos longe de ter a maior carga tributária do mundo. Vamos aos fatos. Quando comparamos com os países da OCDE, em geral capazes de prover serviços públicos de qualidade, constatamos que o Brasil não está nem no “top 10” da lista da OCDE:

 

Carga Tributária OCDE e BrasilEm comparação com os países ricos, não temos, nem de longe, a maior carga tributária do mundo: o país está no meio da tabela, é o 15º entre 35 países. Em listas com mais países, como o da Heritage Foundation, o Brasil cai para a 30ª posição.

Devidamente comprovado que a Carga Tributária NÃO É a maior do mundo, os arautos do negativismo dirão então que “não é a maior carga tributária, mas é uma das maiores do mundo”. Já mudou o discurso, mas ainda não explica o verdadeiro conteúdo da Carga Tributária aqui no Brasil e nos demais países. Por exemplo: O Brasil tem um dos maiores Sistemas de Seguridade Social do Mundo (Aposentadoria, Fundo de Garantia,Seguro Desemprego, Auxilio Doença, Salário Maternidade, Sistema Único de Saúde, etc…) Ou seja, boa parte do que aparentemente vai para o Estado, volta para o cidadão. Por isto vai aqui o artigoMitos econômicos brasileiros #2: “O Brasil tem uma carga tributária muito elevada”, também extraido do Blog Novas Conversas Persas.

Segue o Artigo

Os “arautos da carga tributária” mais bem informados podem até reconhecer que é bobagem dizer que o brasileiro é quem mais paga impostos no mundo. Mas, ainda assim, poderão objetar que se trata de uma carga extremamente elevada, semelhante à do Reino Unido (35,2%) e bem maior que a de Canadá (30,7%) e Suíça (28,2%), que, diferentemente do Brasil, têm  excelente provisão de serviços públicos e seguridade social.

Certo. É verdade que muita gente paga muito imposto no Brasil, especialmente os assalariados (essa discussão merece ser feita, mas é outro debate). Mas fazer uma comparação usando apenas um único parâmetro, o de Carga Tributária Bruta (CTB) simplifica as coisas: dá a impressão de que Tributos = Dinheiro do Estado. Na realidade, as coisas não são bem assim. Um debate mal feito leva a políticas mal feitas. O “truque” está no uso disseminado e exclusivo do conceito de CTB, ou seja, total de impostos dividido pelo PIB.

Só que nem todo o dinheiro arrecadado pelo Estado fica com ele. Para fazer uma comparação justa dos países ricos com o Brasil (ou com qualquer país) é preciso ver efetivamente o quanto fica com o Estado.

Acontece que, do total “bruto” recolhido dos impostos pelo Estado, parte é redistribuída diretamente para o cidadão, na forma de transferências obrigatórias (aposentadorias, pensões, assistência e programas de renda mínima) e subsídios (financiamento habitacional, da produção industrial e agrícola, por exemplo), e não entra efetivamente na “caixa preta”.

Ao subtrair essas transferências e subsídios do total de tributos arrecadados pelo poder público temos a “carga tributária líquida” (CTL). O conceito é bastante útil para a análise. A CTL é a quantidade de recursos que efetivamente fica com União, estados e municípios para prover serviços públicos, investir em infraestrutura, defesa, manter a máquina, pagar juros etc.. Comparações com outros países usando esse conceito dão um ponto de partida melhor para debates sobre a eficiência do Estado.

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Quando se trabalha com o conceito de CTL, o quadro brasileiro parece bem menos assustador: a carga tributária líquida do Brasil em 2012 vai de 35,85% para 19,82%. Mais: em comparação com o ano passado, a carga tributária líquida na verdade caiu (-1,74%) em relação ao ano anterior. Entre 2002 e 2012, a carga tributária líquida ficou praticamente estável, variando entre 17,28%, em 2003, e 20,17%, em 2011. Na média do período, a CTL ficou em 19,96% ao ano.

Na comparação com outros países, o Brasil “cai pelas tabelas”. No levantamento feito em 2008 (referente a 2007) pelo IPEA, entre 18 países, o país tinha a 10ª maior carga tributária bruta da lista, mas a 13ª carga tributária líquida.

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Ainda assim, vendo o Brasil na 13ª posição não parece convincente (já que se esquece que é uma lista com 18 países). Mas quando outros países são incluídos na comparação, a carga tributária no Brasil já não parece ser tão alta. De acordo com dados de 2011 do Banco Mundial, ao se excluir da carga tributária transferências obrigatórias (como pensões e multas), o Brasil aparece na 59ª posição, entre 104 países, ficando muito próximo da média mundial e atrás de países como Chile, Uruguai e África do Sul, além, claro, de muitos países desenvolvidos (clique no gráfico abaixo para ampliar).

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Ao contrário de muitos países emergentes, o Brasil tem um sistema universal de aposentadoria, o que é sistematicamente ignorado nos noticiários sobre impostos e “carga tributária”. E mais: diferentemente de muitos desses países e até mesmo dos EUA, o Brasil também possui um sistema público universal e gratuito de saúde, o SUS (embora, claro, não tenha a qualidade do sistema de países europeus) e, diferentemente de países como o Chile, o país oferece educação pública e gratuita, embora a qualidade em geral seja muito ruim. Mas isso explica em grande parte por que a carga continua sendo mais elevada que outros países emergentes que não possuem tal sistema de serviços públicos.

PS: O conceito de Carga Tributária Líquida ajuda, mas tampouco conta toda a história. Para entender um pouco mais esse quadro complexo, leia mais no post Mito Econômico Brasileiro #3

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Na segunda-feira (16), iniciou-se no Teatro Cora Coralina o Curso Gratuito de Capacitação para Cuidador de Idoso. Na sua abertura estiveram presentes os Membros da Secretaria Estadual de Defesa e Proteção Social, o Gerente de Políticas e Proteção do Idoso – Luciano Francisco e o Presidente do Conselho Estadual do Idoso – André Luiz. Na oportunidade foram distribuídas as Cartilhas sobre o Estatuto do Idoso e o passo a passo para formação do Conselho Municipal da Pessoa Idosa.

O Gerente de Políticas e Proteção do Idoso, Luciano Francisco, falou sobre a importância do Curso para a cidade e principalmente para o idoso, elogiou a iniciativa do Grupo dos Vicentinos representado na pessoa do Dr. Osvaldo e falou sobre a importância de se ter um Conselho Municipal do Idoso no Município.

11Gerente de Políticas e Proteção do Idoso da Secretaria Estadual de Defesa e Proteção Social – Luciano Francisco 

O curso seguirá com sua grade dia 16, 18, 23, 27, 30 de março. E 01, 06, 08, 13, 15, 22. Sendo 23 de abril o encerramento. Contará com uma equipe multiprofissional formada por médicos, enfermeiros, assistente social, fisioterapeuta, odontólogo, nutricionista, educador físico e psicólogo. Segundo os organizadores, após o término deste curso serão abertas novas inscrições para novas turmas.

O Presidente do Conselho Estadual do Idoso disponibilizou todo apoio necessário para com relação a conteúdos para instrução dos futuros cuidadores de Idosos.

q3Presidente do Conselho Estadual do Idoso – André Luiz e Gerente de Promoção da Igualdade Racial da Secretaria Estadual de Defesa e Proteção social

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Tomou posse neste início de mês numa quarta – feira, 11, o Gerente de Políticas e Proteção do Idoso, Luciano Francisco dos Santos. A gerência é integrada à Diretoria de Políticas Afirmativas e Proteção de Direitos da Secretaria de Defesa e Proteção Social, órgão norteador dos Direitos Humanos no Estado.

w1Gerente de Políticas e Proteção do Idoso da Secretaria Estadual de Proteção Social

Segundo o Gerente Luciano Francisco, o desafio é grande e muito trabalho virá pela frente. “É demostrada uma grande preocupação da atual gestão na execução de um trabalho efetivo na área. Contamos com o apoio da sociedade civil organizada, integrantes de conselhos, entidades afins e parceiros de governo, para darmos corpo a uma política robusta, que realmente traga benefício à população”, afirmou.

A gerência tem também agregado ao seu corpo administrativo Conselhos Municipais dos Direitos da Pessoa Idosa e o Conselho Estadual da Pessoa Idosa, o que facilitará a construção de um trabalho em conjunto. A estrutura da pasta traz outras gerências ligadas aos direitos humanos, sendo: gerência de Políticas e Proteção para as Mulheres, de Promoção da Igualdade Racial, de Políticas e Proteção do Deficiente, de Políticas e Proteção da Diversidade Sexual e de Prevenção Contra as Drogas.

Em entrevista concedida na mídia a Secretária de Defesa e Proteção Social, Gleidy Braga, ressalta que as políticas de direitos humanos são a espinha dorsal da sociedade, sendo garantida pela Constituição Federal e sua aplicação implica na vida de todos.

 

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Para o deputado federal Henrique Fontana (PT-RS), a frase do ex-presidente tucano de que a corrupção no Brasil “é uma mocinha de muito poucos anos, quase um bebê” é um desrespeito às pessoas que conhecem minimamente a história do Brasil; “É preciso perguntar ao ex-presidente por que algumas pessoas esconderam dinheiro no banco HSBC no exterior, desde a década de 1990”, questiona; texto publicado no site do PT aponta que “a história comprova que muito antes de deflagrada a Lava Jato, denúncias sobre esquemas fraudulentos na petrolífera despontavam, ainda que timidamente, na mídia”; deputada federal Margarida Salomão (PT-MG) acredita que a afirmação de FHC revela que o intelecto do ex-presidente está sendo prejudicado pela disputa partidária e pelo ódio político; “Ao dizer que a corrupção no Brasil é um bebê, o ex-presidente dá mostras indiscutíveis de senilidade”, diz

 

O Governo de Aécio/Anastasia do PSDB, em doze anos arrombou as finanças do estado de Minas Gerais. Uma das razões dessa diferença foi a antecipação de dividendos das empresas públicas ao longo de 2014. Empresas de que o governo do Estado é acionista, como a Cemig e a Copasa, anteciparam dividendos que só deveriam ser pagos este ano. Um exemplo desse artifício foi o pagamento de dividendos de R$ 60 milhões da MGI – Minas Gerais Participações, em 30 de dezembro, a dois dias do final do mandato.

Mesmo tendo antecipado a retirada desses dividendos, o recurso constava como receita a ser arrecadada em 2015, no total R$ 4,7 bilhões patrimoniais. Com a avaliação feita pela nova administração, foi descoberto que restou apenas R$ 1,1 bi em dividendos, sendo R$ 500 milhões passíveis de antecipação em 2015. Este é o quadro de ‘congestão financeira’ dos governos tucanos liderados por Aécio.

“Não vamos receber esse ano os dividendos de 2014, pois os valores foram todos antecipados até o limite”, explicou o secretário da Fazenda José Afonso Bicalho. Devido ao déficit, o estado vai zerar os investimentos com recursos próprios, mas serão realizadas obras e contratação de serviços com recursos vinculados e de operações de crédito.

Apesar da grave situação financeira do Estado, o governador Fernando Pimentel assegurou a aplicação constitucional de 12% na educação, 25% na saúde e 1% na Fapemig- Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais, e todos os aumentos salariais dos servidores autorizados por lei. Os aumentos salariais serão pagos ao longo de 2015.

“O pagamento da folha está garantido, mas é importante destacarmos que a mudança no orçamento nada tem a ver com a falácia de que seria culpa das contas do governo federal. A peça anterior não era factível”, disse o governador. Além disso, é ordem de Pimentel priorizar as demandas da educação. “Temos a proposta de pagar o piso salarial e temos um grupo de trabalho com os representantes. A ordem é repassar para q educação qualquer folga orçamentária”, disse Helvécio.

Balanço parcial da situação deixada pelos governos de Aécio, Anastasia e Alberto – a trinca de Ás responsável pela derrocada do Estado de Minas Gerais

O governo do PSDB sob o comando de Aécio Neves levou ao sucateamento dos serviços públicos em todas as áreas. O malfadado Choque de Gestão deixa o estado em situação de caos, afunilando nossa economia e colocando Minas Gerais na contramão do desenvolvimento.

Reconstruir Minas Gerais será o maior desafio da gestão de Fernando Pimentel. Veja alguns dos problemas que o petista enfrenta desde o 1º de janeiro de 2015:

Educação – Os professores mineiros não recebem o Piso Salarial Profissional Nacional definido por Lei Federal. Nem o mínimo constitucional para a Educação (25% da receita estadual) é aplicado, o que gerou uma dívida com o setor de 8 bilhões de reais. Faltam mais de 1 milhão de vagas para o Ensino Médio na rede pública. Por causa da falta de estrutura, existem escolas estaduais funcionando em locais antes utilizados como motel e posto de gasolina. Fora o quadro de instabilidade causado pela extinção da Lei 100.

Saúde – Também sem a aplicação do mínimo constitucional para a Saúde, os mineiros seguem marcados pela amarga gestão do SUS/MG. Nenhum novo hospital. Nenhum programa estruturador. Some-se a isso uma ação movida pelo Ministério Público que questiona desvios da verba da Saúde para a Copasa da ordem de mais de 5 bilhões de reais. Outra ação questiona um superfaturamento na compra de medicamentos entre 2008 e 2012, que causou um rombo de 28 milhões de reais aos cofres públicos mineiros.

Economia – Acumulada principalmente nos últimos 12 anos, a dívida pública mineira está estimada em 102 bilhões de reais, colocando Minas Gerais na posição de 2º estado mais endividado do país. Apesar dos pagamentos de juros e amortização, a dívida cresce. A crise pela qual passa nosso estado já garantiu para 2015 baixas orçamentárias nas secretarias de Planejamento e Gestão, de Transportes e Obras Públicas e na de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Previdência – A extinção do Funpemg (Fundo de Previdência do Estado de Minas Gerais) como forma de apropriação dos recursos do fundo para cobrir os déficits do caixa mineiro foi um dos maiores golpes contra o povo de Minas Gerais. Ainda assim, somente no ano passado, o Tesouro Estadual precisou fazer um aporte de 5,9 bilhões de reais para cobrir o pagamento de benefícios previdenciários. Parte desse dinheiro foi excluído do pagamento com despesas de pessoal.

Governo de Minas denunciará Aécio e Anastasia ao MPF; PT-MG abrirá CPI

Mãe, o último domingo – 15 de março – foi um dia sombrio.

Pelas ruas do Brasil, por nossas largas avenidas, uma ruidosa marcha de milhares de pessoas revelou a infâmia escondida nos porões ou em baús onde o medo e as mortes de centenas de brasileiros permanecem impunes.

Depois de trinta anos de redemocratização é que eles, da direita brasileira, realizam sua maior manifestação pública de massas.

Ali estavam perfilados com absurdas faixas os nostálgicos da cadeira-do-dragão e do pau-de-arara, os matadores de crianças, os que diziam que os métodos da Gestapo estavam ultrapassados, os querem reduzir a maioridade penal, a bancada da bala, a Opus-Dei e a Rede Globo. 

O desfile, que contou com o entusiasmo e presença de notórios torturadores, como é o caso de Carlos Alberto Augusto – conhecido nas masmorras da repressão como “Carlinhos Metralha” – que, para a glória eterna de Médice e Geisel, distribuía selfies e sorrisos ao vangloriar-se de sua participação, em 1973, no “Massacre da Chácara São Bento”, comandada pelo delegado Fleury, em Paulista (PE).

Naquele episódio a jovem Soledad Barret, presa e grávida como tu, minha mãe, fora morta com mais seis companheiros, todos sob a mais lancinante tortura. Ela, como todos, foi entregue pelo famigerado agente infiltrado Cabo Anselmo. Tal agente era o pai do filho que Soledad carregava.

Mãe, sinto-me agitado em teu ventre e a memória da carne retorna sob as botas do tirano e pergunto, afinal,  quem deu aos verdugos o direito à luz do sol depois de tantos anos de escuridão?

Como a impunidade pode ser tão escandalosa?

Em mim, pequena mãe, vou compreendo cada vez mais que os navios negreiros e seus mercadores ainda permanecem como guias-espirituais de nossas elites. A violência, então, não apenas ressignifica essa ‘gente diferenciada’ mas confere-lhe lugar de proa no corolário dos comboios dos pescoços amarrados em pescoços que, através dos séculos, fez do suplicio sua mão possessa no pasto da brutal formação da nacionalidade, como ensinou Darcy Ribeiro.

Mãe, alguns amigos e parentes, dos mais queridos, estavam lá e vejo pelas redes sociais de como o esgoto, o lixo e pesticidas altamente desfolhantes – destes que se consomem em grandes goles e que está sendo servido diuturnamente pela mídia golpista – pôde fazer tanto estrago nas mentalidades. Alguns deles passarão por essas palavras noturnas e espero que reflitam sobre as consequências de dar, ao cio dos fascistas, a cadela do obscurantismo.

Sei o quanto dói na gente, em ti, em mim, em meus irmãos, a lembrança destes episódios na qual fomos torturados dentro do próprio Ministério do Exército, no Pelotão de Investigações Criminais, em Brasília, ou na Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro.

Mãe, a tortura ainda permanece dentro da gente.  Do capuz escuro aparece um medo cortante e, por todos os dias, anos que se seguem, vamos aprendendo a enfrentar a mão colérica dos que nos queriam mortos e desaparecidos, sepultados numa vala comum, como indigentes. 

Sobrevivemos porque, tanto tu como o Paulo resistiram a morte precoce e a loucura. Temos, então, responsabilidade nos estampidos da artilharia. 

Eles, os violentos, não passarão!

Hecilda, pequena mãe, seguiremos na luta!

Por Paulo Fonteles Filho.

Negócios familiares, proximidade com governos, financiamento de campanhas e diversificação de atividades – da telefonia ao setor armamentício – compõem a história das gigantes Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. 

Apesar de mais conhecidas no Brasil por sua atuação no setor de construção civil, as chamadas “quatro irmãs” – Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez – hoje atuam em diversas outras atividades. As empreiteiras respondem apenas por parte dos lucros destes grupos econômicos que atuam em todos os continentes, com foco nos mercados da África, América Latina e Ásia. Juntas, possuem empreendimentos que vão do agronegócio à moda, passando pela petroquímica, setor armamentício, telefonia e operação de concessões diversas.

Os controladores, porém, permanecem os mesmos e os maiores ganhos ficam com as famílias que comandam as empresas. “O controle de base familiar é uma característica da formação do capital monopolista dos grupos econômicos constituídos no Brasil. Embora isso não impeça a abertura de capital, esta é feita de modo a preservar sempre o controle acionário dos ativos mais rentáveis pelas famílias controladoras. Isso confere à estrutura societária desses grupos um formato piramidal, em que um controlador último controla toda uma cadeia de empresas”, analisa o cientista político da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) João Roberto, que coordena o Instituto Mais Democracia.

Além do controle familiar, outro traço comum é o fato de serem grandes financiadoras de campanhas. Entre as eleições de 2002 e 2012, juntas, as quatro empresas investiram mais de R$ 479 milhões em diversos comitês partidários e candidaturas pelo Brasil. No Estado do Rio de Janeiro, o PMDB é de longe o partido mais beneficiado, com R$ 6,27 milhões, mais que a soma dos quatro seguintes: PT, PSDB, PV e DEM. Porém os repasses podem ser ainda maiores em anos não-eleitorais. Em 2013, por exemplo, somente a Odebrecht repassou R$ 11 milhões dos R$ 17 milhões arrecadados pelo PMDB. Veja mais no infográfico:

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Infografia: Bruno Fonseca

Além dos contratos para obras públicas, o governo federal também incentiva o negócio dessas empresas através do BNDES. Por meio da Lei de Acesso à Informação a reportagem apurou que, entre 2004 e 2013, o banco realizou 1665 transferências para as construtoras das “quatro irmãs”, totalizando mais de R$ 1,7 bilhão em empréstimos. Deste total, a Odebrecht e Andrade Gutierrez foram as maiores beneficiadas, levando R$ 1,1 bilhão. As duas também lideram o ranking de desembolsos para operações de exportação entre 2009 e março de 2014. Juntas, levaram mais de U$ 5,8 bilhões em empréstimos neste segmento. “É importante chamar a atenção para o fato de que o BNDES também tem participações, através do BNDESPAR no capital de empresas controladas pelas referidas empreiteiras, como a CPFL, controlada pela Camargo Correa; a Braskem, controlada pela Odebrecht; e da Oi/Telemar, controlada pela Andrade Gutierrez”, destaca João Roberto.

Conheça a história dessas quatro gigantes.

OAS

“Obras Arranjadas pelo Sogro”, “Obrigado Amigo Sogro”, “Organização Apoiada pelo Sogro”… As paródias com a sigla da construtora OAS vão tão longe quanto a imaginação permite. Em comum, a eterna gratidão da empresa ao “sogro”, que pode ser descrito com outras três letras: ACM, ou Antônio Carlos Magalhães, político símbolo do coronelismo na Bahia. Já o referido genro atende pelo nome de Cesar Araújo Mata Pires, dono do grupo empresarial, que debutou na lista de bilionários da Forbes em 2014 com aproximadamente R$ 3,6 bilhões em patrimônio pessoal.

Criada em 1976, a empresa levou apenas oito anos para ficar entre as dez maiores do Brasil. Além do “A” de Cesar Araújo, a sigla da companhia traz outros dois sobrenomes: “O” de Durval Olivieri e “S” de Carlos Suarez. Em comum, os três tinham ainda experiência de trabalho na construtora Odebrecht.

ACM na sala de ex-votos e graças alcançadas da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, em Salvador (BA) – Foto: Mathieu Bertrand Struck

ACM na sala de ex-votos e graças alcançadas da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, em Salvador (BA) – Foto: Mathieu Bertrand Struck

Assim, a OAS começou a atuar por meio de subcontratos com a Odebrecht. Foi por meio dela também que Cesar Araújo conheceu o então governador Antonio Carlos Magalhães. O futuro encontro dele com a filha de ACM iria aquecer não só seus corações, mas também os negócios da empresa.

Leia mais: um jogo para poucos

Segundo o historiador Pedro Campos, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a OAS atuava apenas no nordeste até o final da década de 80, em especial nos estados governados por aliados de ACM. “A ARENA era muito poderosa no norte e nordeste. E Antonio Carlos tinha muitos aliados ali. A OAS chega ao sudeste apenas na década de 90”, diz. Ex-proprietário da TV Bahia, retransmissora da Globo na região, e filiado ao PSD, Mata Pires de fato deve muito ao sogro pela ascensão da OAS.

Hoje, no Rio de Janeiro, a empresa é responsável pela construção da Transcarioca, parte do consórcio Porto Novo S/A e é uma das controladoras do Metrô Rio, por intermédio da Invepar. Dentre os projetos ligados à Copa e Olimpíadas, a OAS também participa dos consórcios do Porto Maravilha (R$ 7,7 bilhões), Transolímpica (R$ 1,6 bilhão), Reabilitação Ambiental da Bacia de Jacarepaguá (R$ 673 milhões), do VLT (R$ 1,2 bilhão), além de ter feito as obras de controle de enchentes na Praça da Bandeira, próximo ao Maracanã (R$ 292 milhões).

Foto: Mídia Ninja

Foto: Mídia Ninja

A OAS foi a empresa que mais financiou campanhas de Sergio Cabral para o governo do Estado: foi repassado R$ 1,8 milhão diretamente para suas duas candidaturas, em 2006 e 2010. Em 2008, a construtora também investiu no principal candidato à prefeitura do Rio: foram R$ 350 mil diretamente para a campanha de Eduardo Paes. Ainda que se leve em conta os R$ 850 milhões repassados para o comitê financeiro do PMDB no Rio de Janeiro entre 2006 e 2012, os financiamentos de campanha são uma bagatela perto dos contratos bilionários firmados com a empresa durante a gestão de ambos.

Apesar do êxito da empresa em todo o país, as condições de trabalho para os operários da OAS estão longe de serem as melhores. Após fiscalização em obras do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo no ano passado, o Ministério Público e Ministério do Trabalho encontraram nada menos que 111 operários em condições análogas à escravidão. A OAS foi obrigada a pagar multa de R$ 15 milhões.

A OAS foi a empreiteira entre as “quatro irmãs” que mais demorou para se internacionalizar, expandindo seus negócios apenas em 2003. Atualmente já realiza diversas operações internacionais, algumas delas por meio da OAS Finance Limited, subsidiária nas Ilhas Virgens Britânicas, e  toca projetos em praticamente toda América do Sul e Central, além de Moçambique, Angola, Guiné Equatorial, Gana e Guiné, na África.

No Brasil, a OAS foi uma das investigadas pela Polícia Federal, durante a Operação Caixa Preta, por irregularidades na licitação de obras em 10 aeroportos. A Justiça Federal do Distrito Federal julga os envolvidos por fraude nas licitações e formação de quadrilha. Quatro obras ainda estão em fase de inquérito no Ministério Público: os aeroportos de Uberlândia, Cuiabá, Corumbá e de Brasília.

O Império de Areia

Em 1926, seria difícil imaginar que as carroças de Sebastião Ferraz de Camargo um dia fariam de sua futura viúva a mulher mais rica do Brasil, com um patrimônio de US$ 13 bilhões. Aos 17 anos o jovem de Jaú (SP) transportava areia para a construção de estradas no interior paulista. Dez anos depois, fundou a Camargo Corrêa & Cia Ltda em parceria com o advogado Sylvio Correa, que deixaria sua marca no nome da empresa mesmo tendo saído dela em 1964. Em 1985, Sebastião Camargo já comandava a maior empreiteira do Brasil e era doutor honoris causa na Escola Superior de Guerra – mesmo tendo o primário inconcluso.

Diplomação na Escola Superior de Guerra (Créditos: Acervo CDMCC)

Diplomação na Escola Superior de Guerra (Créditos: Acervo CDMCC)

De fato, não foram apenas os cavalos que levaram a carroça de Sebastião ao topo da economia brasileira. Sua decisiva proximidade com a cúpula de Brasília começou com a construção das vias de acesso à própria capital, no Governo JK, mas foi estreitada com a ditadura militar. “A Camargo Correa é a maior empreiteira do regime militar, a mais vinculada com o projeto da ditadura”, afirma o historiador Pedro Campos.

Na época, Sebastião se tornou alvo de grupos guerrilheiros, como a Ação da Libertadora Nacional (ALN) e a VPR, comandada por Carlos Lamarca. Seu nome é mencionado em depoimentos e publicações da ALN como alvo preferencial, ao lado de outros empresários, como Pery Igel (Grupo Ultra/Ultragás) e Roberto Campos (Univest/Investbanco). “Existe uma características comum entre os três supracitados cavalheiros: todos financiam a repressão policial da ditadura, pagam os carrascos da OBAN (Operação Bandeirantes) e dão prêmios de milhões de cruzeiros por cada guerrilheiro assassinado”, publicou a ALN na quinta edição de seu jornal “Venceremos”.

A proximidade com a ditadura também lhe rendeu diversas obras públicas para alavancar seu negócio, mesmo fora do Brasil. A participação de sua empresa na construção da hidrelétrica de Itaipu, por exemplo, teria sido uma imposição ao governo de Ernesto Geisel feita por seu parceiro de pescaria, o ditador Alfredo Stroessner, que governou o Paraguai por 35 anos.

Avesso a entrevistas, Sebastião Camargo declarava abertamente sua simpatia pelo regime autoritário, mesmo após a redemocratização. “Acho que o grande progresso do Brasil foi no governo militar”, disse o fundador da empreiteira em entrevista para a Folha de São Paulo, em 1990.

Reprodução da tese “A ditadura dos empreiteiros” de Pedro Campos

Reprodução da tese “A ditadura dos empreiteiros” de Pedro Campos

Enquanto se fortalecia na construção civil, Sebastião começou a diversificar e internacionalizar seus negócios. Em 1978, a empresa estreou no exterior na liderança de um consórcio internacional para construir uma usina hidrelétrica na Venezuela. A estratégia funcionou. Em 2012 pouco mais da metade da receita líquida de R$ 23,372 bilhões da empresa veio do ramo de cimento (com a InterCement) ou engenharia; o restante vem de áreas como concessões de transporte e energia (CCR, CPFL Energia), indústria naval (Estaleiro Atlântico Sul), incorporação imobiliária e vestuários e calçados (Alpargatas). Pertencem a este último grupo, inclusive, as marcas mais conhecidas da empresa, como as Havaianas, Topper, Rainha, Mizuno e Osklen.

O império da mais antiga das empreiteiras se viu fortemente abalado em 2009 com a operação Castelo de Areia da Polícia Federal. A investigação sobre crimes financeiros e lavagem de dinheiro da empresa trouxe à tona denúncias de formação de cartel, fraudes a licitações e pagamentos milionários a políticos de alto escalão, que beneficiariam inclusive o atual vice-presidente Michel Temer. Envolvendo diversos partidos, como o PMDB, PT, PSDB, PR, DEM, PCdoB, PSB e PP, a investigação causou embaraços tanto ao governo Lula como à oposição.

A Camargo Corrêa foi denunciada pelo Ministério Público Federal por formação de cartel nas obras do metrô de Salvador junto com a Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão e outras empresas que também estariam envolvidas no acordo. Para se defender, contratou os serviços de advocacia do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos por nada menos que R$ 15 milhões. A batalha jurídica chegou ao Supremo Tribunal de Justiça, que suspendeu a operação em 2011, alegando ilegalidade na coleta de provas.

Leia mais: um jogo para poucos

Ainda hoje, porém, a Camargo Corrêa sente os efeitos da investigação. Documentos ausentes do processo original da Castelo de Areia chegaram ao Procurador-Geral da República no final do ano passado e podem reabrir o caso, que envolveria também um esquema de pagamento de propinas na concessão do Metrô Rio durante a gestão de Sérgio Cabral. Segundo reportagem da RevistaÉpoca, a Polícia Federal teria descoberto tardiamente a relação entre parte das provas apreendidas na operação e o pagamento de uma dívida de R$ 40 milhões do Estado do Rio com a Camargo Corrêa por intermédio da Opportrans. Esta empresa do Grupo Opportunity teria quitado a dívida do Estado em 12 parcelas em 2008, livrando-o assim de cinco ações judiciais movida pela empreiteira. Por sua vez a Opportrans ganhou a renovação de seu controle da concessão do Metrô Rio até 2038, porém a repassou um ano depois para a OAS e os fundos de pensão do Banco do Brasil e da Petrobras. A reportagem aponta que, para cada parcela recebida pela Camargo Corrêa, 5% teria sido destinado a Wilson Carlos de Carvalho, secretário de Governo e coordenador das campanhas de Cabral. Amigo de longa data, marido de sua prima e ex-sócio do Governador, Carlos Emanuel Miranda também teria recebido o mesmo quinhão, por meio de pagamentos no exterior.

Em 2010, ao lado da OAS, a Camargo Corrêa foi a empresa que mais investiu na campanha de Sérgio Cabral para o governo do Estado. Na ocasião, a empresa doou R$ 2 milhões para o PMDB apenas no Rio de Janeiro. Deste total, R$ 1 milhão foi para a campanha de Cabral. Antigo aliado do PMDB, Lindbergh Farias (PT) recebeu o mesmo valor para sua candidatura ao senado. Hoje rival da chapa peemedebista – pré-candidato ao governo do Rio – Lindbergh recebeu ainda R$ 250 mil diretamente do empresário Julio Gerin de Almeida Camargo naquele ano.

Dentre as quatro irmãs, a Camargo é a empreiteira com menor participação em projetos envolvendo Copa e Olimpíadas. Suas participações se dão por intermédio da Invepar, empresa controlada por ela junto com os três maiores fundos de pensão do país. A Invepar está presente nas obras da Transolímpica e do VLT do Centro do Rio de Janeiro, cujos orçamentos somados chegam a R$ 2,8 bilhões. Por meio da Intercement, outra empresa do seu grupo econômico, a Camargo Corrêa consta ainda entre os condenados pelo CADE no caso do “cartel do cimento”, onde o órgão aplicou a maior da multa de sua histórica: R$ 3,1 bilhões.

De Minas para o mundo

Santo Estevão, Sant’Ana e São Miguel. Assim são chamadas as administradoras que controlam a holding Andrade Gutierrez S.A, segundo levantamento do projeto Proprietários do Brasil. Por trás da santa trindade estão cerca de vinte membros da família Andrade e dois da Gutierrez, que dividem entre si o controle das três empresas; à frente, um dos maiores grupos econômicos do Brasil, com uma receita líquida de quase 14 bilhões de reais em 2012, segundo seu último relatório financeiro publicado.

Juscelino Kubitschek com a faixa presidencial

Juscelino Kubitschek com a faixa presidencial

Da pequena empresa iniciada em Minas Gerais na década de 40 pelos irmãos Roberto e Gabriel Andrade, ao lado do amigo Flávio Gutierrez, até a atual multinacional presente em 44 países (incluindo grandes potências como Alemanha, Rússia, Índia e países com economia de menor expressão como Gana, Ucrânia e Argélia), há um longo caminho marcado por um faro apurado para oportunidades.

Irmão de Roberto e Gabriel,

Uma empresa muito falada e pouco entendida

Raras vezes tantas tolices foram publicadas e compartilhadas em cima de um número malcompreendido.

Entre no Twitter e digite Petrobras 88 bilhões, e você encontrará uma enxurrada daquilo que de mais imbecil a mente humana pode conceber.

A cifra de 88 bilhões de reais representaria aquilo que foi desviado por corrupção na Petrobras.

Para quem tem o mínimo de familiaridade com números, é um caso parecido com o do homem de oito metros.

Mas poucos tem, e a Folha, origem dos disparates, não está entre estes raros.

Foi a Folha que deu a “informação”. Ela estaria no balanço divulgado pela Petrobras.

Depois, a Folha corrigiu o erro, mas era tarde demais: a asneira já fora transmitida e incorporada por dezenas, centenas, milhares de analfabetos políticos que incluem suspeitos de sempre como Lobão e Danilo Gentilli.

Os 88 bilhões são um cálculo aproximado de ativos supervalorizados.

Imagine que, em vez da Petrobras, se tratasse da Abril. Suponha que a Veja, o principal ativo da casa, tivesse sido avaliada num balanço em 1 bilhão de reais.

Depois, se verificaria que o valor estava inflado em 50%, digamos. No ano seguinte, o balanço corrigiria o excesso, e a Veja surgiria com o valor de 500 milhões de reais.

É mais ou menos isso.

Dentro dos 88 bilhões, existe uma parcela associada aos desvios. Mas ninguém sabe quanto é.

Na reunião de diretoria que aprovou o balanço, chegou-se a cogitar – ou chutar — uma soma de 4 bilhões em desvios, com base nos 3% de taxa de propina de que falou o ex-diretor Paulo Roberto Costa.

Os 88 bilhões não fizeram a festa apenas de internautas sem noção de grandeza de números.

Numa rápida pesquisa no Twitter, encontrei o link de uma entrevista da CBN com um economista para falar dos “88 bilhões em desvios”.

Mesmo confessando não ter condição de analisar o balanço, ele concedeu uma entrevista de mais de seis minutos.

Pobres ouvintes da CBN. Uma rádio competente jogaria luzes onde há sombras. Mas a CBN cobre áreas cinzentas com ainda mais sombras.

Mas não se pode desprezar a contribuição da Petrobras para a confusão.

Tente entender o que a empresa quis dizer na sentença abaixo, que consta do balanço e é assinada por Graça Foster. Um determinado método foi descartado, e a explicação foi a seguinte:

“O amadurecimento adquirido no desenvolvimento do trabalho tornou evidente que essa metodologia não se apresentou como uma substituta ‘proxy’ adequada para mensuração dos potenciais pagamentos indevidos, pois o ajuste seria composto de diversas parcelas de naturezas diferentes, impossível de serem quantificadas individualmente, quais sejam, mudanças nas variáveis econômicas e financeiras (taxa de câmbio, taxa de desconto, indicadores de risco e custo de capital), mudanças nas projeções de preços e margens dos insumos, mudanças nas projeções de preços, margens e demanda dos produtos comercializados, mudanças nos preços de equipamentos, insumos, salários e outros custos correlatos, bem como deficiências no planejamento do projeto (engenharia e suprimento).”

Proust podia escrever parágrafos intermináveis, pelo talento excepcional em juntar palavras, mas nenhum redator de balanços pode fazer o mesmo.

Frases curtas, simples, fáceis de entender: eis o que um balanço deve conter, para ser compreendido para além dos números.

E então você tem o cruzamento de um jornal que admite o homem de oito metros com um balanço escrito numa linguagem não identificada – parecida, apenas, com o português.

Estava tudo pronto para um festival de asneiras nas redes sociais. Falsos gênios chegaram a fazer contas: com 88 bilhões de reais você compra x Fuscas e coisas do gênero.

Claro que o PSDB não poderia faltar.

Em sua conta no Twitter, o PSDB postou um quadro que dizia que “o prejuízo da Petrobras com corrupção pode chegar a 88 bilhões de reais.”

Neste caso, não é apenas erro. É má fé. É manipulação. É cinismo.

E uma tremenda duma mentira. O presidente do PSDB, Aécio, acaba de gravar um vídeo em que diz que Dilma mente.

Antes de ser julgada, a Petrobras tem que ser compreendida.

O barulho em torno dos 88 bilhões de reais mostra que a Petrobras, embora tão falada, é uma ilustre desconhecida para muitos brasileiros. Por isso, é fácil usá-la com propósitos canalhas por quem quer tudo — menos, efetivamente, contribuir para o bem dela.

Rogério Correia: "Descobri recentemente que dentro da empresa existe um tal de Conselhinho da Andrade Gutierrez, que se sobrepõe aos poderes do governo de Minas na Cemig". Foto: Assembleia Legislativa de MG

“Eu me disponho a fazer uma acareação com Aécio Neves”

NOTA À IMPRENSA DO DEPUTADO ESTADUAL ROGÉRIO CORREIA, via e-mail

Ou como diriam os mineiros: “pó pará, Aécio, pó pará!”

Na defensiva, vem novamente o senador Aécio Neves tentar desqualificar a Lista de Furnas, que o coloca no centro da Operação Lava Jato, a partir da delação de Alberto Youssef.

Vamos relembrar o roteiro do processo de reconhecimento da autenticidade da Lista:

1. LAUDO DE EXAME DOCUMENTOSCÓPICO (mecânico e grafotécnico) nº 1097/2006, elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), da Diretoria Técnico-Científica, do Departamento de Polícia Federal, Ministério da Justiça. Nesse laudo, a equipe de peritos analisou o documento original denominado Lista de Furnas, concluindo que não houve montagem, fraude ou qualquer outro tipo de manipulação.

2. O apresentante do documento original, sr. Nilton Monteiro, foi processado pelo deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) em 2006. Em 2009 ele foi inocentado, por unanimidade, no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em sentença proferida pela então juíza Maria Luiza de Marilac Alvarenga Araújo (hoje, desembargadora). A razão para negar provimento à ação do deputado Aleluia está escrita lá: a lista é autêntica.

3. No dia 25 de Janeiro de 2012, a procuradora federal (MPF-RJ), Andrea Bayão, ofereceu denúncia contra vários operadores do “esquema de Furnas”, à época de FHC. Não por coincidência estavam lá as empresas Bauruense e Toshiba, mencionadas por Youssef, junto com o nome de Andréa Neves, no esquema de propinas que teria beneficiado o senador tucano. Dimas Toledo, denunciado pelo MPF nessa ação, foi indicado por Aécio Neves para a diretoria de Furnas. Youssef cita um diretor que seria apadrinhado pelo PP e por Aécio: só pode ser ele.

4. Lembremo-nos que o Diretório Nacional do PSDB contratou um perito americano, Larry F. Stewart, por R$ 200.000,00, para produzir um laudo sobre cópias xerox da Lista de Furnas. Duas lambanças. Primeiro, ao usar cópias xerox para desqualificar a autenticidade da lista original. Segundo contratar um perito que já fora preso em flagrante em um tribunal dos EUA, exatamente por falso testemunho acerca da autenticidade de documentos em outros processos.

5. O Diretório Estadual tucano tentou cassar meu mandato, solicitando ao Ministério Público Estadual a abertura de inquérito para apurar se eu teria participação no suposto ato de falsificação da afamada Lista de Furnas e se eu tinha usado a estrutura de meu gabinete parlamentar para isso. Foi aberto inquérito, pela Drª Raquel Pacheco Ribeiro Souza, para apurar a denúncia do PSDB. Fracassaram. O MPMG considerou, inclusive submetido ao seu Conselho Superior, após exaustivas apurações, que não se justificava o “prosseguimento das investigações, nem o ajuizamento de Ação Civil Pública” contra mim, impondo-se o “arquivamento” do Inquérito aberto. As razões: a Lista de Furnas era autêntica, inclusive sendo usada para inocentar Nilton Monteiro em outro processo e tinha o aval do INC da Polícia Federal; e, examinado o uso das verbas de meu gabinete, não restou provada qualquer participação minha em atos de improbidade administrativa. Segue, em PDF, a decisão do MPMG.

Enfim, compreendo o desespero do senador Aécio Neves. Em qualquer sistema de buscas na internet, com as palavras-chaves apropriadas, qualquer leitor pode conferir as informações acima. Desde 2011, Aécio Neves tenta cassar meu mandato parlamentar e persegue quem ousou denunciá-lo, como é o caso de Nilton Monteiro e Marco Aurélio Carone, que chegaram a ser presos ilegalmente para evitar que atrapalhassem sua campanha. Eu fui investigado à exaustão e nunca me opus a qualquer apuração. Agora é a sua vez, Aécio. Por que não se coloca à disposição da justiça? Eu me coloco à disposição para ir ao Senado e fazer uma acareação com V. EXa. Isso é muito mais consistente do que mandar notinhas inverídicas aos jornais!

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A mídia escondeu a verdeira história do doleiro.

 

Alberto Youssef foi condenado em 2004, pelo mesmo juiz Sergio Moro, do Paraná, por corrupção.

 

Segundo a Ação Penal movida contra Youssef, ele obteve um empréstimo de US$ 1,5 milhão, em 1998, numa agência do Banestado, banco público do Paraná, nas Ilhas Cayman.

 

No processo de delação premiada da época, Youssef confessou que internou o dinheiro no Brasil de forma ilegal, ao invés de fazê-lo via Banco Central.

 

Mas negou que tenha pago propina a um executivo do Banestado. Segundo o doleiro, a condição imposta para o Banestado liberar o dinheiro para sua empresa, a Jabur Toyopar, era fazer uma doação para a campanha de Jaime Lerner, do então PFL (hoje DEM), aliado do PSDB, para o governo do Paraná.

Doação “não-contabilizada”. Caixa 2.

 

A mídia nunca deu destaque a essa informação.

 

Alberto Youssef operava para tucanos e demos do Paraná desde a primeira eleição de Jaime Lerner, em 1994. Assim como operou também para FHC e Serra em 1994 e 1998.

 

O Banestado, um dos bancos mais sólidos do sistema financeiro do país, foi saqueado pelos tucanos na década de 90. Após devastarem as finanças da instituição, o PSDB, que governava o país, iniciou um processo de privatização cheio de fraudes.

 

O Banestado foi então vendido para o Itaú, pela bagatela de R$ 1,6 bilhão.

 

Existem acusações de que a privatização do Banestado gerou prejuízo de R$ 42 bilhões aos cofres públicos.

 

Mas tucanos podem tudo.

 

Depois de tanta roubalheira, o único condenado foi o mordomo, o doleiro Alberto Youssef, um homem de origem simples que ficou milionário operando para a elite tucana.

Mas a elite tucana é magnânima, e o juiz Sérgio Moro absolve o doleiro após um ridículo acordo de delação premiada, que não resultou em nada.

Este é o Sérgio Moro que a mídia chama de “duro”.

 

Em agosto deste ano, Youssef é preso outra vez e Moro cancela o acordo anterior de delação premiada do doleiro.

 

O juiz e a elite tucana tinham outros planos para o doleiro. Ele poderia ser útil numa operação midiática para derrotar Dilma nas eleições de 2014.

 

O advogado do doleiro, Antônio Augusto Figueiredo Basto, tem profundas conexões com o PSDB. Foi membro do conselho da Sanepar, estatal paranaese que cuida do saneamento do estado, e foi também advogado de doleiros tucanos envolvidos no trensalão.

 

Os escândalos de corrupção no PSDB paranaense envolvem mais nomes. Em 2001, a Procuradoria de Maringá acusou o prefeito tucano Jairo Gioanoto de desvios superiores a R$ 100 milhões, feitos durante o período de 1997 a 2000. Em valores atualizados, esse montante aproxima-se de R$ 1 bilhão.

 

E quem aparece nesse escândalo, mais uma vez?

 

Ele mesmo: Alberto Youssef.

 

Trecho de matéria publicada na Folha, em 4 de março de 2001:

 

“Um dos nomes sob investigação, o ex-secretário da Fazenda de Maringá, Luís Antônio Paolicchi, apontado como pivô do esquema de corrupção, afirmou, em depoimento à Justiça, que as campanhas de políticos do Paraná, como o governador Jaime Lerner (PFL) e o senador Álvaro Dias (PSDB), foram beneficiadas com dinheiro desviado dos cofres públicos, em operações que teriam sido comandadas pelo ex-prefeito Gianoto.

 

A campanha em questão foi a de 1998. “A pessoa que coordenava (o comitê de Lerner em Maringá) era o senhor João Carvalho (Pinto, atual chefe do Núcleo Regional da Secretaria Estadual de Agricultura), que sempre vinha ao meu gabinete e pegava recursos, em dinheiro”, afirmou Paolicchi, que não revelou quanto teria destinado à campanha do governador -o qual não saberia diretamente do esquema, segundo ele.

 

Quanto a Dias, o ex-secretário disse que Gianoto determinou o pagamento, “com recursos da prefeitura”, do fretamento de um jatinho do doleiro Alberto Youssef, que teria sido usado pelo senador durante a campanha.

 

“O prefeito (Gianoto) chamou o Alberto Youssef e pediu para deixar um avião à disposição do senador. E depois, quando acabou a campanha, eu até levei um susto quando veio a conta para pagar. (…) Eu me lembro que paguei, pelo táxi aéreo, duzentos e tantos mil reais na época”, afirmou.”

 

Todas as histórias que envolvem o doleiro Alberto Youssef e seus advogados desembocam em escândalos tucanos: Banestado, caixa 2 de campanhas demotucanas na década de 90, desvios em Maringá, trensalão.

 

Todavia, na última hora, os tucanos e a mídia levaram um susto.

 

Houve uma fissura na conspirata para prejudicar Dilma, quando apareceu um dos “testas de ferro” do doleiro, o senhor Leonardo Meirelles.

 

Em depoimento à Justiça, Meirelles acusou Youssef de operar para o PSDB, e de ter como “padrinho” um político de oposição do estado do Paraná, praticando nomeando Álvaro Dias (e confirmando o depoimento do secretário da fazenda de Maringá, citado acima).

 

Assim que a informação do testa de ferro de Youssef veio à tôna, o advogado do doleiro, Antônio Augusto Figueiredo Basto, iniciou uma operação midiática desesperada para negar que seu cliente tivesse operado para o PSDB. A mídia seguiu-lhe os passos, tentando neutralizar uma informação que poderia atrapalhar os planos de usar o doleiro para derrotar Dilma.

 

Em segundos, todos os jornais deram um destaque desmedido à “negativa” de Youssef de ter operado para o PSDB.

 

Só que não tem sentido.

 

A própria defesa do doleiro, em suas argumentações contra a condenação imposta por Sérgio Moro, pela Ação Penal de 2004, extinta e retomada agora, diz que os US$ 1,5 milhão que ele internou no país em 1998 foram destinados à campanha de Jaime Lerner, candidato demotucano ao governo do Paraná.

Como assim ele não operou para o PSDB?

 

Youssef operou a vida inteira para o PSDB! Era a sua especialidade!

Tentar pregar uma estrelinha do PT no peito do doleiro não vai colar.

Alberto Youssef é um produto 100% tucano.

ok1 Absurdo: Justiça condena agente só por cumprir a lei

A notícia: dada em primeira mão por Heródoto Barbeiro no Jornal da Record News, na terça-feira, relata o caso de Luciana Silva Tamburini, a bela agente de trânsito da Operação Lei Seca, no Rio, que estava trabalhando na blitz em que foi parado o carro do juiz João Carlos de Souza Corrêa, 18º JEC (Juizado Especial Criminal), em fevereiro de 2011. O ilustre magistrado estava sem documentos do carro, nem habilitação para dirigir, e deu voz de prisão à agente, que estava só cumprindo a lei.

O absurdo: esta semana, foi mantida pelo desembargador José Carlos Paes, da 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a sentença de primeira instância, em que Luciana foi condenada a pagar multa de R$ 5 mil ao juiz Souza Corrêa, por “abuso de poder”.

“Ao apregoar que o demandado era juiz, mas não Deus, a agente de trânsito zombou do cargo por ele ocupado, bem como do que a função representa na sociedade”, justificou o doutor desembargador, ao manter em segunda instância a condenação da agente de trânsito. Que beleza, quanta meiguice!

Dois detalhes: Luciana ganha um salário mensal de R$ 3.600 e o carro do juiz circulava sem placas. Nada disso foi levado em conta pela nossa Justiça, sempre implacável ao julgar e condenar os mais fracos, em defesa dos mais fortes.

Quando viu que a agente não cedeu ao tradicional apelo do “sabe com quem esta falando?”, o juiz Corrêa, do alto da sua autoridade, não teve dúvidas: mandou chamar a polícia para prender a agente, que recebeu voz de prisão por “desacato à autoridade”. Ameaçada de ser algemada e levada no camburão ao 14º Distrito Policial, no Leblon, Luciana se recusou a cumprir a ordem dos policiais, mas foi à delegacia, e acabou condenada pela Justiça.

Nem tudo, porém, está perdido. Ao tomar conhecimento deste absurdo, na terça-feira a advogada paulista Flavia Penido criou uma vaquinha virtual na internet para ajudar Luciana Tamburini. Em menos de 24 horas, foram arrecadados R$ 11.600, afastando assim o risco dela ser presa por não ter condições de pagar a multa.

Em entrevista aos repórteres Mateus Campos e Julianna Granjeia, do jornal O Globo, a agente de trânsito disse que não se arrepende da sua atitude ao zelar pelo cumprimento da lei. E desabafou:

“No acordão, o desembargador reconhece que o magistrado estava sem habilitação e num carro sem placa. Mas afirma que, naquela situação, eu é que agi com abuso de autoridade. É revoltante. Eu não sou legisladora. Não estou ali para fazer a lei. Estou ali para cumpri-la, assim como todo mundo. Agora posso me prejudicar porque fiz o meu trabalho direito. Isto desmotiva (…) Aqueles que nos julgam têm muito mais poder do que as pessoas comuns. E parecem estar acima das leis que aplicam”.

“O juiz queria que um tenente me desse voz de prisão, que me levasse para a delegacia. O tenente se recusou e o juiz ligou para uma viatura. Os PMs da viatura tentaram me algemar e disseram que ele queria que eu fosse para a delegacia. Respondi que ele queria, mas não era Deus. Eles saíram e informaram ao juiz o que eu havia dito. Ele começou a gritar e me deu voz de prisão, dizendo que eu era muito abusada. Fomos então para a delegacia”.

“Alguém tem que fazer este trabalho. Se eu levo os carros dos mais humildes, por que não vou levar os dos mais abastados? (…) Eu trato todo mundo do mesmo jeito, independentemente de qualquer coisa. Eu trabalho do jeito certo e vou até o final”.

É ou não é mesmo revoltante esta história? Se tem muitas autoridades no nosso país que nos envergonham, tem outras, como a agente de trânsito Luciana Silva Tamburini, que me dá orgulho de ser brasileiro.

Só não consigo entender uma coisa: vira e mexe, lemos nos jornais notícias sobre autoridades e celebridades em geral que são paradas e detidas pelos agentes da Operação Lei Seca no Rio de Janeiro. E é muito raro vermos isso acontecer em São Paulo. Por que será?

Quem souber a resposta, por favor, envie seu comentário aqui para o nosso Balaio.

Em tempo

É com muita alegria que comunico aos caros leitores: estou saindo neste final de semana para um curto período de férias na Europa, terra dos meus pais, aonde não vou há tempos. No dia 20, já estarei aqui de novo, de domingo a domingo.

 

Nós, brasileiros, sofremos de uma curiosa disfunção cognitiva, que incide sobre a população com a mesma frequência que a intolerância à lactose, entre os japoneses, ou a inclinação para os trocadilhos, entre os ingleses. Falo da nossa capacidade de nos indignar com a corrupção alheia ao mesmo tempo em que ignoramos completamente os próprios desvios. Conforme o segundo turno das eleições presidenciais se aproxima, dia 26, o mal se alastra como uma epidemia.

Nos bares, nas ruas e nas redes sociais, defensores de Dilma Rousseff, do PT, candidata à reeleição, e do senador oposicionista Aécio Neves, do PSDB, não se cansam de apontar o dedo uns pros outros e relembrar as roubalheiras em que o partido rival se envolveu. Os petistas costumam citar o escândalo da reeleição, em que o PSDB é acusado de subornar congressistas para aprovarem uma emenda constitucional, permitindo que Fernando Henrique Cardoso concorresse novamente à Presidência, em 1998. Os psdbistas citam o caso do mensalão, em que políticos da base do PT, na Câmara, recebiam mensalmente dinheiro desviado do caixa 2 da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. Infelizmente, quando se trata de reconhecer as próprias lambanças, o silêncio é sepulcral. Nem aqueles poucos que conseguem se manter isentos no meio do tiroteio partidário escapam à disfunção cognitiva. É comum ouvirmos que o problema não seria o PT nem PSDB, mas os políticos, como um todo; como se os políticos fossem uma espécie à parte, ETs infiltrados com o intuito de corromper nossa idônea população. Nesse quesito, porém, a população não precisa de ajuda.

Lembro bem de quando fui apresentado à corrupção. Era domingo, eu tinha uns sete, oito anos de idade e almoçava na casa de um tio. Vamos chamá-lo de Arthur. Arthur era o meu parente mais rico e morava numa casa com piscina. Lá pelo meio do almoço ele contou à família, orgulhoso, como havia encontrado um jeito de desligar o registro de água em frente à casa, de modo a encher a piscina sem gastar um tostão. Não me lembro de o terem repreendido. Hoje, meu tio está aposentado, mora num apartamento e, vira e mexe, me repassa uns e-mails revoltados contra a corrupção do PT, no governo.

Eu gostaria de acreditar que tais condutas são coisa de gente mais velha, que os avanços do país nas últimas décadas tornaram mais ética a nossa postura, mas isso não parece ter acontecido. Uma amiga minha, advogada de trinta e poucos anos, criou no computador um documento falso de cabeleireira para ter desconto numa loja de xampus. Ela é sócia de um escritório de direito tributário e com o que ganha em um ano poderia, provavelmente, comprar xampus para as futuras três gerações de sua família. Um psicanalista com quem me consultei, anos atrás, cobrava mais barato caso eu pagasse as sessões em dinheiro vivo, permitindo-lhe burlar a Receita Federal. Quando você pede um recibo para um taxista, no Rio de Janeiro, costuma ouvir como resposta: “Que valor quer que eu ponha?”. O raciocínio do motorista é que, como uma empresa te reembolsará aquele valor, você pode supervalorizar a corrida e roubar uns R$ 10 ou R$ 20 do seu empregador. Em troca do “favor”, claro, ele espera uma pequena porcentagem do desvio. As possibilidades de corrupção estão até nas situações mais prosaicas. Uma ida ao cinema, por exemplo. Todo cidadão brasileiro acredita que é seu direito inalienável furar a fila, caso encontre um amigo melhor posicionado. Você chega ao cinema, garante o lugar no fim da fila e diz ao seu par: “Peraí que eu vou ver se eu conheço alguém mais lá na frente”. No Facebook e no Twitter, contudo, a culpa por todos os nossos males é do PT, do PSDB ou dos políticos, em geral.

Claro que houve avanços, nos 20 anos em que PSDB e PT estiveram no poder.

Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), do PSDB, acabou com a hiperinflação, valorizou a moeda, tirou a economia da UTI. Lula (2003-2011) e Dilma (2011 até hoje) aprofundaram, reformaram e criaram programas sociais que alçaram 50 milhões de pessoas da pobreza à classe média. Esses avanços, porém, se deram sem sanar os velhos problemas: alianças espúrias para se obter maioria no Legislativo, troca de favores, fisiologismo, corrupção.

São traços de um país que surgiu, 514 anos atrás, como uma despensa ultramarina de Portugal, onde homens vinham ganhar dinheiro longe da lei, da cruz e das mulheres: primeiro, extraindo pau-brasil, (árvore cuja seiva vermelha era usada para tingir tecidos e que emprestou o nome ao nosso país), depois plantando cana de açúcar, traficando escravos, garimpando ouro e pedras preciosas.

Muito da inconsequência e do imediatismo daqueles exploradores continua vivo entre nós.

Seria eu o único brasileiro livre desses traços? Evidente que não. Ano passado, comprei uma geladeira. Na loja, disseram que, além de entregar, poderiam instalá-la, por R$ 450. Achei caro, disse que eu mesmo a instalaria. Quando ela chegou, no entanto, percebi que não daria conta sequer de tirá-la da caixa, imagina só de fazer as conexões hidráulicas necessárias. O entregador deu uma tussidinha e propôs: “Amigão, se quiser, eu instalo agora, por R$ 100. Mas, assim… A loja não pode ficar sabendo…”. “Claro”, assenti. O tio Arthur ficaria orgulhoso, se soubesse.

Outro dia, olhando essa geladeira, compreendi que ela é um pouco a imagem do Brasil atual: moderna, potente, vistosa, na frente, mas funcionando somente graças às velhas conexões que insistimos em perpetuar, lá atrás. Pode ganhar Dilma ou Aécio, dia 26: ainda vai levar muito tempo para resolvermos os problemas que estão nas raízes do pau-brasil.

Antonio Prata, escritor, também é colunista da Folha de S.Paulo. Envie comentários para[email protected]

 

Apontar ganhador no debate da Record entre Dilma e Aécio no último domingo depende da filiação ou da simpatia partidária de cada um. Claro que cada lado terá seus argumentos sobre o que disse seu candidato para que fosse vencedor, mas, para o eleitor indeciso – que é o alvo dos debates e das campanhas neste momento –, não deve ter havido vencedor.

Este Blog, porém, tem opinião sobre o que viu. E, de tudo que foi visto, recolheu ao menos uma informação eloquente para que o leitor enxergue melhor quem se opõe a Dilma.

A numeralha e os termos técnicos são absolutamente inacessíveis para a população em geral. Isso sem falar que Aécio usa mentiras. Por exemplo, ao dizer que todos os indicadores sociais do Brasil vêm caindo. É mentira, vêm subindo há mais de uma década. Mas o tucano não pretende falar a verdade; seu objetivo é dar ares de verdade às próprias mentiras.

Aécio afirmou que Dilma não tem responsabilidade por investigações de corrupção, de modo que as milhares de operações da PF nos governos dela e de Lula, por exemplo, não seriam mérito dos dois. Mentiu de novo.

Sim, o governo pode permitir ou bloquear investigações. Como Dilma lembra sempre, no governo FHC chegava-se a transferir delegados da PF que investigavam “mais do que deviam”. E, ao nomear o primo do vice-presidente Marco Maciel como Procurador Geral da República, o ex-presidente tucano agiu para impedir “problemas” com o único órgão que poderia investigá-lo.

Contudo, além de manter um único procurador-geral da República em seu governo de 8 anos, e ainda um PGR que era parente de seu vice, FHC ainda tentou resguardar-se contra problemas futuros com a lei, pois nem ele acreditava que Lula assumiria e colocaria uma pedra sobre o passado.

Poucos se lembram disso, mas FHC tentou colocar no Supremo Tribunal Federal o homem que, durante oito longos anos, tratou de impedir toda e qualquer investigação sobre o governo federal, à diferença do que fariam Lula e, depois, Dilma, os quais nomearam para a Procuradoria sempre o nome indicado pelo Ministério Público.

E, repito, foram 3 PGR’s em 8 anos de Lula e 2 em 4 anos de Dilma contra 1 durante os 8 anos de FHC. É assim, como Lula e Dilma, que se combate a corrupção; é assim, como FHC, que se impede investigações de corrupção.

O ex-procurador-geral da República de FHC, Geraldo Brindeiro, primo do então vice-presidente Marco Maciel, livrou a cara de FHC várias vezes. Uma delas foi no caso da compra de votos para a reeleição do tucano, que o jornalista da Folha de SP Fernando Rodrigues considerou que foi inquestionavelmente corrupção envolvendo o governo tucano.

Veja, abaixo, vídeo em que Rodrigues fala sobre o caso.

 

 

 

 

Alguém foi sequer processado? Houve investigação? Nenhuma. Sabe por que, leitor? Porque FHC impediu. Ou melhor, o despachante que pôs na Procuradoria impediu.

O caso ao qual você viu o repórter da Folha se referir foi sumariamente engavetado por Geraldo Brindeiro. Se tivéssemos uma Procuradoria como as de Lula e Dilma, talvez o ex-presidente tucano estivesse saindo hoje da cadeia.

Devido a tão bons serviços prestados por Brindeiro, FHC tratou de tentar colocá-lo no STF, além de ter colocado Gilmar Mendes pouco antes para fazer o servicinho que vem fazendo para o PSDB ao longo dos anos. Porém, o tucano não conseguiu. Com a derrota de Serra para Lula, FHC tornou-se um “lame duck” e não teve força para dar sobrevida ao seu engavetador.

Abaixo, matéria do jornal O Estado de São Paulo de 2 de setembro de 2002 que mostra a manobra que FHC tentou para prolongar a vida útil do engavetador-geral da República, quem, ao lado de uma Polícia Federal manietada, impediu que qualquer das muitas falcatruas daquele governo fosse investigada.

 

Se dependesse das regiões Sul e Sudeste do país, o presidente da República para o quadriênio 2015 – 2018 seria Aécio Neves. O Brasil estaria se preparando para inaugurar mais uma República banqueira como tantas outras que o fizeram chegar ao limiar do século XXI como o quarto país mais desigual do mundo, perdendo só para países africanos miseráveis.O que livrou os brasileiros – inclusive do Sul e do Sudeste – da escuridão política foi o povo nordestino. O Nordeste, por ser a segunda região mais populosa do país depois do Sudeste e por ter dado a Dilma Rousseff apoio ainda mais intenso do que o que o senador tucano teve no Sudeste, reelegeu a presidente.O mais interessante nesse processo é que a região dos coronéis de outrora, que sustentou a ditadura militar nos seus estertores – quando o resto do país já exigia redemocratização – e que votava nos conservadores apesar de a vida de seu povo, com a direita no poder, piorar a cada ano, aprendeu a votar em causa própria.A eterna prepotência das regiões do resto país que se desenvolveram mais devido à política e não a méritos próprios, vem gerando surtos de preconceito contra o Nordeste nas últimas eleições presidenciais, com destaque para as de 2010 e 2014, quando o Ministério Público teve que entrar em campo para punir surtos racistas e xenofóbicos.O caso de São Paulo é pior, em termos de ignorância, preconceito e xenofobia. O povo paulista, hoje, emula o povo nordestino, que elegia, reelegia e elegia de novo seus algozes enquanto sua vida piorava. Os paulistas acabam de conceder o SEXTO mandato de governador ao PSDB apesar da piora galopante das próprias vidas.A hegemonia tucana fez com que, de 2001 a 2011, São Paulo se tornasse o Estado que mais perdeu participação no PIB da indústria brasileira. Apesar de ainda responder pela maior parte da produção industrial (33,3%), SP teve recuo de 7,7 pontos percentuais em sua participação no PIB industrial, onde há os melhores empregos.Ironicamente, enquanto a falta de água caminha para se tornar história no Nordeste, sobretudo devido à incrível obra de Transposição do Rio São Francisco, que, apesar das sabotagens, em breve estará concluída, no Sudeste, sobretudo em Minas Gerais e SP, a população paga pela incúria dos governos conservadores dos últimos 12 anos.A inversão do desenvolvimento no país se torna gritante na comparação entre o PIB industrial do Norte e do Sul do país. Enquanto o primeiro cresceu 1,9 ponto percentual no período de 2001 a 2011, o Sul perdeu 2,1 pontos.Tudo isso vem acontecendo porque, após a chegada do PT ao poder, em 2003, o Brasil tratou de reparar uma chaga histórica. Qual seja, o processo deliberado de incremento econômico do Sul e do Sudeste em detrimento do Norte e do Nordeste, que foi política de Estado ao longo de nossa história, desde o descobrimento.O que puxava os índices de desenvolvimento do Brasil para baixo sempre foi o Nordeste, mas só até que Lula chegasse ao poder. Dali em diante, essa equação começou a se inverter.Quando os paulistas acusam os nordestinos de terem sido responsáveis pela reeleição de Dilma por não saberem votar, mostram quanto não sabem nada sobre o próprio país. Os nordestinos sabem muito bem por que votam no PT, como mostra a mais nova edição da PNAD contínua, do IBGE.A nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) produz informações contínuas sobre a inserção da população no mercado de trabalho e suas características, tais como idade, sexo e nível de instrução, permitindo, ainda, o estudo do desenvolvimento socioeconômico do País através da produção de dados anuais sobre trabalho infantil, outras formas de trabalho e outros temas permanentes da pesquisa, como migração, fecundidade etc.Pois bem: segundo a nova PNAD contínua, divulgada na última quinta-feira, no período de 12 meses (fechado em junho) o Nordeste liderou a criação de postos de trabalho no país. De 1,5 milhão de empregos criados nesse período, 1 milhão foi criado no Nordeste e o resto pelas demais regiões.Vejamos, então, quem é que não sabe votar: o povo de São Paulo, que vota há vinte anos em um governo que liderou a redução da presença de seu Estado no PIB, que materializa uma inédita escassez de água e que vê seus problemas sociais se agravarem, ou o povo do Nordeste, que votou maciçamente em um governo que vem fazendo a vida melhorar tanto na região?O PIB nordestino cresce a uma taxa quatro vezes maior que a do resto do Brasil. Isso ocorre porque, após a chegada de Lula ao poder, o governo federal vem fazendo o que tem que ser feito no país para acabar com um nível de desigualdade que mantém os brasileiros no atraso.Como é que se distribui renda? Antes de distribuir por idade, sexo etc., a renda começa a ser distribuída geograficamente e, passo a passo, a atuação governamental vai se sofisticando por idade, gênero etc.Ou seja: para distribuir renda no Brasil, há que fazer, primeiro, as regiões mais pobres crescerem mais do que as regiões mais ricas.Com efeito, se o Norte e o Nordeste fossem um país – como, inclusive, quer parte do Sul e do Sudeste –, seriam um dos países que mais crescem no mundo, com o PIB do último ano crescendo mais de 4%.Infelizmente, só há uma forma de distribuir renda: para alguém ganhar, alguém tem que perder. Não dá para todos ganharem da mesma forma se um tem mais e outro tem menos, e o que se quer é justamente maior igualdade. Assim, o Norte e o Nordeste precisam crescer mais do que o Sul e o Sudeste mesmo.Se aqui, no “Sul Maravilha”, não fôssemos tão egoístas e alheios à realidade, entenderíamos que não adianta querermos o desenvolvimento só para nós – ou mais para nós – porque o povo das regiões empobrecidas migra para cá, aumenta a demanda por serviços públicos e, mergulhado na pobreza e no abandono, vê seus filhos caírem na criminalidade.Com o maior crescimento do Norte e do Nordeste, a migração cai ou muda de rumo, como tem acontecido – hoje, há cada vez mais nordestinos voltando à região de origem. Além disso, o Sul e o Sudeste poderão parar de enviar recursos, via impostos, para combater a miséria extrema nas regiões mais pobres.De certa forma, o povo do Sul-Sudeste tem um “motivo” para não gostar dos quatro governos do PT a partir de 2003. A percepção de que o desenvolvimento dessas regiões não tem sido grande coisa, não chega a ser cem por cento errada. Porém, isso ocorre porque está havendo redistribuição de renda entre regiões, no Brasil.No atual ritmo de crescimento do Norte e do Nordeste, em mais um mandato do PT o Brasil terá outra face – mais justa, mais coerente com um país que não pode ser rico em uma ponta e miserável na outra. E, ainda que grande parte do povo das regiões preteridas não entenda, ao fim todos sairemos ganhando com isso.

O Partido dos Trabalhadores consolidou, em sua trajetória de mais de 30 anos, a fama de ser um “partido de chegada”.

O partido consolidou uma “mística” de que “chega chegando” nas últimas duas ou três semanas que antecedem a eleição, e já virou inúmeras situações que lhe eram francamente desfavoráveis – pelo menos considerando os cenários eleitorais, alguns desalentadores, que projetavam certas pesquisas de intenção de voto.

Um dos casos clássicos foi a histórica e espetacular virada de Jaques Wagner na Bahia, na eleição de 2006. O galego Wagner, segundo o Ibope na ocasião, nem iria disputar o segundo turno, perderia no primeiro. Wagner, como se sabe, ganhou a eleição no primeiro turno, de modo tão inacreditável quanto acachapante: elegeu-se com 53% dos votos válidos, enquanto seu adversário, Paulo Souto, morreu na praia com 43%.

Só para refrescar a memória dos esquecidos e de alguns pessimistas de ocasião, reproduzo uma das manchetes da imprensa paulista naquela ocasião: “Wagner surpreende, interrompe “carlismo” e dá vitória ao PT na Bahia”.

Desconfio que a tal “onda Dilma”, que agora todos já parecem avistar no horizonte, substitui a tal “onda Marina”, que já se desgasta e arrefece, e poderá, além de reeleger Dilma, eleger alguns candidatos petistas, a exemplo de Rui Costa, na Bahia, Tarso Genro, no Rio Grande do Sul, Pimentel, em Minas, e até Alexandre Padilha, em SP, levando este (ou até mesmo Paulo Skaf) ao segundo turno contra Geraldo Alckmin.

Sim, teremos um segundo turno em São Paulo. Apesar do que sugerem hoje as pesquisas.

A situação nesse estado está particularmente ruim, como todos sabem, com a falta d’água, com a violência exasperante nas ruas das grandes e médias cidades, a educação pública muito ruim, o completo descalabro na gestão da coisa pública, metrô e trens superlotados, a corrupção do “trensalão” e uma “broxante” hegemonia política que já perdura 20 anos, mas que, nitidamente, já sente os desgastes inerentes a uma falta de “tesão” e de competência para governar, sem igual, dos quadros do tucanato, acomodados e desmotivados que estão numa máquina pública arruinada.

Nem os próprios tucanos se aguentam mais, esta é a verdade.

Sim, certamente você já enxerga agora no horizonte, a onda vermelha que se agiganta e que deverá ajudar, como disse, a eleger ou reeleger candidatos do PT e da base aliada.

Sem falar nos inúmeros deputados estaduais e federais, do PT e dos partidos aliados, que certamente irão surfar essa envolvente, gigante e arrebatadora nova onda vermelha que os conduzirá à praia que lhes interessa: o Parlamento.

Quem conhece a força do Partido dos Trabalhadores, de sua militância, dos sindicatos e dos movimentos sociais sabe que essa onda, essa sim, tem força para surgir, crescer, se agigantar e se espraiar por todo o país.

O PT não faz marola – ao menos é o que nos mostra sua história.

O PT é muito mais que uma mera “ondinha”, forjada artificialmente, para deleite de alguns empresários e banqueiros.

O PT é outra onda.

O PT é muita onda!

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