As mulheres e o exercício do poder | Luis Antonio 13



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As mulheres e o exercício do poder  

Escrito por
Gleidy Braga


Por Gleidy Braga – Superintendente da Mulher, Direitos Humanos e Equidade do município de Palmas.

“Agressivas, duras, insensíveis, intransigentes”, estes são alguns dos adjetivos constantemente associados às mulheres que ocupam espaços de decisão e de poder. Em recente entrevista a um veículo da imprensa brasileira, a diretora de operações do facebook, Sheryl Sandberg, a executiva mais poderosa do setor de tecnologia da empresa, definiu este contexto da seguinte forma, “nós não nos sentimos confortáveis com mulheres no poder. Nosso estereótipo diz que mulheres devem nutrir, ajudar, cuidar dos outros, enquanto os homens devem ser poderosos”. Tal afirmação, nos leva a questionar o porque causamos tanto incômodo nos espaços de poder. Seria este espaço um espaço pré-determinado aos homens? Não! Trata-se das relações desiguais de poder entre homens e mulheres na sociedade.

A relação da presidenta Dilma no comando da nação é um bom exemplo de como se dão as relações de gênero no exercício do poder. Não é raro acompanharmos, nos noticiários, os dirigentes de partidos políticos, mandatários, principalmente da oposição, adjetivar a Presidenta de “autoritária e intransigente” na articulação das agendas que são importantes para o país junto ao Congresso Nacional. A estratégia é simples: Se não se pode desqualificar a sua competência enquanto gestora, aprovada pela maioria dos brasileiros, vamos criticá-la na forma, rotulá-la de adjetivos que reforçam no imaginário social o discurso de que o exercício do poder não é tarefa para as mulheres, pois são elas naturalmente despreparadas para comandar.

O impressionante é que ainda sobra espaço nesta agenda para os críticos se ocuparem com o tom de cabelo, a cor das roupas, da maquiagem e do sapato que a presidenta utiliza nas suas agendas oficiais. Críticas que se estendem a todas as ministras de seu governo, principalmente para aquelas que comandam e auxiliam a Presidenta na articulação política, senadora Gleisi Hoffmann, Ministra da Casa Civil, e ex-senadora, Ideli Salvatti, Ministra das Relações Institucionais. Não é raro acompanhar a cobrança quanto ao tom das ministras, que são comparadas a “tratores”, termo comumente utilizado no meio político para identificar aqueles/as que não possuem o tom conciliador na resolução dos problemas.

O Ambiente político é o espaço para divergência de idéias e de constante negociação na busca de um consenso em torno da proposta que melhor represente os interesses da coletividade. Esperar que a Presidenta e suas auxiliares hajam segundo o estereótipo de mulher doce e angelical, em um ambiente bastante masculino, é apenas uma tentativa velada de desqualificá-las enquanto representantes legais do povo brasileiro.

O discurso sexista evidencia que as mulheres que assumem uma posição de comando no Brasil ainda têm um longo caminho a percorrer. Esta não é uma tarefa fácil, afinal, nós estamos falando de valores que, há milênios, subordinam as mulheres a uma condição de desigualdade e que têm reflexos nos dias de hoje, seja na esfera pública, seja na esfera privada.

As mulheres que ocupam estes espaços de decisão devem encarar tal situação como desafio a ser superado e denunciado, até que todos, mulheres e homens, possam ser avaliados pela sua competência na capacidade de resolver demandas que sejam de interesse da maioria, da coletividade. O incômodo daqueles que não aceitam mulheres em cargos de direção, deve servir de ânimo para continuarmos a luta pela igualdade de gênero, afinal, se no dicionário machista agressividade e dureza se confundem com competência e zelo com a coisa pública, que sejamos duronas e agressivas, até que o poder não seja um privilégio e sim um direito de todas e todos.

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