A fortuna dos Marinho e a grande batalha que se avizinha | Luis Antonio 13
Amigos do Facebook
Rádio Transmissão
Vereador - Luis Antônio

A mídia amanhece hoje anunciando, difundindo e cobrindo manifestações no Brasil inteiro. É a chamada quinta-feira negra da Copa, durante a qual movimentos sociais, alguns sérios outros nem tanto, tentarão chamar a atenção para os problemas nacionais.

A história, como se sabe, tem o hábito da ironia. Coube a ela produzir uma interessante coincidência. Na véspera dessas manifestações, a revista Forbes divulgou a lista das 15 famílias mais ricas do país.

No topo delas, encontra-se a família Marinho, proprietária do maior conglomerado de mídia da América Latina e talvez o maior do mundo ainda sob controle estritamente familiar.

A concentração das nossas riquezas agora tem nome e sobrenome. Não é mais uma tese acadêmica. Essas quinze famílias amealham hoje um patrimônio total de R$ 271,26 bilhões.

Os Marinho se destacam no ranking, com 23% do total, contra 16% para o segundo colocado e 12% para o terceiro.

ScreenHunter_3742 May. 15 08.28

Os Marinho antes não figuravam em primeiro lugar porque a Forbes não tinha o hábito de juntar as fortunas de familiares numa só conta. Até que eles perceberam que o Brasil tem a característica de que suas principais empresas permanecem familiares.

O controle familiar acrescenta uma nota mórbida ao que representa a Globo no país. É a concentração absoluta de poder. Eles são hegemônicos na mídia, na economia… e no gerenciamento de uma fortuna de proporções nababescas.

Não é mais possível, hoje, para ativistas e movimentos sociais que lutam para transformar o Brasil, omitir-se em relação a concentração estapafúrdia de dinheiro em mãos de tão poucas famílias.

O Brasil precisa de uma lei que imponha um imposto pesado sobre as grandes fortunas do país. Assim como há nos EUA e na Europa.

A fortuna dos Marinho, além disso, evidencia que os interesses econômicos e políticos da grande mídia brasileira jamais serão os do povo.

A hegemonia midiática da Globo é possivelmente o maior fator de desequilíbrio e desigualdade políticas presente em nossa democracia. Qualquer grupo político que tenha a preferência da Globo terá uma vantagem dupla: financeira e midiática.

É justamente isso que estamos assistindo. A Globo, mais uma vez, se posiciona de maneira clara. Seus braços midiáticos estão trabalhando, diuturnamente, para derrotar o projeto popular iniciado por Lula em 2003. Não lhes interessa que nunca tenham ganho tanto dinheiro. Eles já tem o poder midiático, já tem o poder financeiro. Só lhes falta o poder político direto. Eles querem alguém de absoluta confiança ocupando o Planalto. Alguém deles, com quem possam trocar confidências, com quem possam almoçar e contar piadas.

Diante da fortuna dos Marinho, vemos o quanto é ridículo a tentativa de vender à opinião pública a existência de uma “elite sindical”. Aliás, diante da fortuna dos Marinho, vemos a importância essencial de sindicatos e centrais para a existência de uma bancada mínima parlamentar que represente os trabalhadores. Como um brasileiro poderia alcançar a representação política no país assumindo posições políticas independentes da Globo?

É por isso que eles odeiam Lula.

Agora também entendemos o “pacto” tácito entre Lula e Globo. Foi um pacto entre adversários.

Pacto que permitiu Lula governar e distribuir renda e à Globo continuar amealhando dinheiro. PT e Globo cresceram nos últimos anos, como dois exércitos que acumulam forças enquanto esperam a próxima grande batalha entre si.

As eleições deste ano será esta grande batalha. E não será a última.

A fortuna dos Marinho ajuda a botar lenha no debate sobre a democratização da mídia. Mais que nunca, está claro que esta é necessária para a consolidação da nossa democracia, a qual, evidentemente, está em risco se há uma família que controla, sozinha, a mídia, o dinheiro e a política de um país.

Agora sabemos quanto rendeu o “mensalão”. Enquanto a Globo satanizava a classe política, seus donos ganhavam uma quantidade de dinheiro que fazem qualquer caixa 2 partidário parecer um grão de areia.

Agora sabemos que o poder corruptor da Globo é algo além da imaginação. Agora entendemos porque Joaquim Barbosa, presidente do STF, pôs seu filho para trabalhar na emissora e passou a frequentar convescotes de Luciano Huck. Agora entendemos porque Ayres Britto, ex-presidente do STF, assinou prefácio do livro de Merval Pereira e assumiu a presidência do Instituto Innovare, da Globo.

Agora entendemos a campanha da Globo para glorificar Joaquim Barbosa e detonar Lewandowski.

A Globo cuida, como sempre, de seu bolso.

A Globo explorou os preconceitos do povo (no qual incluo a classe média) para vender a ideia de que o julgamento do mensalão, pela primeira vez na história do Brasil, “prendeu poderosos”. Ora, ao vermos a fortuna dos Marinho e olharmos para José Genoíno, como evitar uma sombria e nervosa gargalhada interior? Que espécie de poderosos são esses cuja fortuna de uma vida inteira não daria sequer para comprar a graxa dos sapatos usados pela família Marinho?

A concentração de mídia, dinheiro e poder é um problema muito maior que a corrupção, porque implica na destruição dos fundamentos de uma democracia, segundo o qual o poder deve emanar do povo, da maioria da população. A democracia implica, naturalmente, também em regras que protejam o direito das minorias e filtrem as paixões mórbidas do povo.

Explorar os preconceitos populares, como fez a nossa mídia durante a cobertura do mensalão, foi um tremendo mal ao processo democrático.

As pessoas que pensam a política no Brasil não tem mais o direito de omitir-se em relação ao risco democrático inerente ao descomunal poder midiático e financeiro da Globo. Lideranças de movimentos sociais, de partidos, de sindicatos, intelectuais progressistas, terão de ser muito mais atentos.

O PT e o governo federal, por sua vez, terão de refletir profundamente sobre este caso. Uma redistribuição profunda das verbas publicitárias se faz premente, porque não é possível continuar alimentando um monstro que não apresenta um risco somente para o PT, mas para a própria democracia.

Não querem dar nada à imprensa alternativa, tudo bem. Mas não dêem para a Globo. Criem uma portaria qualquer que obrigue concessões públicas a veicularem gratuitamente os anúncios de cunho institucional.

Pensem na democracia, pelo amor de Deus!

A única solução é a internet. Estive relendo uma matéria publicada ano passado no Viomundo, com uma entrevista com Helena Chagas, e voltei a ficar estarrecido com o desprezo dela por uma política de desconcentração e pluralidade das verbas federais voltadas para a publicidade.

Claro, a culpa não é dela. Trata-se de uma visão do PT e da própria Dilma. Mas agora temos dados reais. A política de concentração de verbas, incentivada pelo conceito de mídia técnica, ajudou a criar este monstro. Uma fortuna tão desproporcional em relação ao tamanho da economia brasileira, em mãos de uma família que controla o principal conglomerado de mídia no país, significa um risco altíssimo à democracia, porque o poder corruptor do dinheiro se soma ao poder manipulador da informação.

A mídia, em qualquer país, responde pela representação do nosso imaginário. Agora entendo porque jamais se fizeram (ou se fez tão poucos) filmes ou livros sobre a mídia.

Lima Barreto se deu mal quando lançou Memórias do Escrivão Isaías Caminha, no qual denunciava um jornal fictício chamado… O Globo! O escritor se baseou em sua experiência no Correio da Manhã. O Globo ainda não havia sido fundado quando escreveu o livro, mas a coincidência dos nomes tem um quê de visionária.

Depois daquele livro, Barreto entrou na lista negra da mídia carioca e nunca mais trabalhou em jornal nenhum. Ficou sem renda da noite para o dia, apesar de ser um dos maiores escritores vivos de sua época. Cem anos depois, o drama se repete, mas em proporções infinitamente maiores. E o que está em risco não é mais a segurança financeira de um pobre escritor carioca, mas sim a de um país inteiro, à mercê dos caprichos de uma família multibilionária e seus fantoches na política e no Judiciário.

democratização

Enviado por  .

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Alberto Almeida: Inquisitorial, julgamento no STJ já estava pronto 24 de abril de 2019
    "Cada magistrado poderia ir para a sessão a fim de debater, persuadir e ser persuadido, e depois decidir. Mas não, eles já vêm com algo escrito. Não é assim em outros lugares do mundo" The post Alberto Almeida: Inquisitorial, julgamento no STJ já estava pronto appeared first on GGN.
  • “Tenho dúvida seríssima quanto aos dois crimes”, diz Marco Aurélio sobre condenação de Lula 24 de abril de 2019
    "Teria havido procedimento do presidente visando dar, ao que ele recebe 'via corrupção', a aparência de algo legítimo? A lavagem pressupõe [isso]”, afirmou The post “Tenho dúvida seríssima quanto aos dois crimes”, diz Marco Aurélio sobre condenação de Lula appeared first on GGN.
  • A (i) lógica do direito e o caso Lula, por Luis Nassif 24 de abril de 2019
    Quem tem a força, pode tudo. Mas não se utilize o fato das três instâncias terem concordado com essas aberrações, como sinal de imparcialidade da Justiça. Trata-se de estado de exceção na veia. The post A (i) lógica do direito e o caso Lula, por Luis Nassif appeared first on GGN.
  • Portugal é um estado de direito, doutor Moro…, por Manuel Carvalho 24 de abril de 2019
    Chamar “criminoso” a um cidadão que não foi julgado nem condenado é um abuso que revela a verdadeira natureza de Sérgio Moro. The post Portugal é um estado de direito, doutor Moro…, por Manuel Carvalho appeared first on GGN.
  • Extra de R$ 40 milhões em emendas teria garantido CCJ aprovar reforma da Previdência 24 de abril de 2019
    Além da distribuição de cargos pelo governo Bolsonaro, revelados pelo GGN, as emendas parlamentares também estiveram na negociação para que a CCJ encerrasse o tema ontem The post Extra de R$ 40 milhões em emendas teria garantido CCJ aprovar reforma da Previdência appeared first on GGN.
  • Entre STF acusador e MPF julgador: a cláusula da reserva de Plenário em xeque 24 de abril de 2019
    Há a séria dificuldade de enquadrar a competência da Corte para julgar casos com esta natureza, por conseguinte, para presidir inquérito, uma vez que não existe foro por prerrogativa de função em razão do cargo da vítima. The post Entre STF acusador e MPF julgador: a cláusula da reserva de Plenário em xeque appeared first […]
  • Ex-primeiro ministro de Portugal chama Moro de ‘ativista político’ 24 de abril de 2019
    Depois de ser mencionado por Moro, Sócrates respondeu através do site Migalhas e, em seguida, deu declarações em entrevista a uma TV portuguesa. The post Ex-primeiro ministro de Portugal chama Moro de ‘ativista político’ appeared first on GGN.
  • Em nota, Dilma defende absolvição de Lula 25 de abril de 2019
    A ex-presidente Dilma Rousseff distribuiu nota nesta quarta-feira (24) em que defende a absolvição de Luiz Inácio Lula da Silva, preso político da Lava Jato, em Curitiba. Segundo ela, “o único resultado cabível no STJ era a anulação da sentença que condenou Lula e a sua absolvição pura e simples”. “Inocentes não devem cumprir pena”, […]
  • Requião solta os bichos contra Bolsonaro; assista 25 de abril de 2019
    Roberto Requião (MDB-PR) colocou a bicharada para criticar os Bolsonaro, os parlamentares e a reforma da previdência. Em vídeos publicados no Twitter, o ex-senador
  • 4 mil indígenas no Acampamento Terra Livre em Brasília 24 de abril de 2019
    Cerca de quatro mil representantes de 150 povos indígenas do Brasil se reuniram nesta quarta-feira (24) em Brasília para o Acampamento Terra Livre. Realizado anualmente, o evento está sua 15ª edição. O ministério da Justiça mobilizou a Força
  • Efeito Bolsonaro: Dólar dispara e chega em R$ 3,99 24 de abril de 2019
    A moeda norte-americana ficou muito perto de passar a marca de R$ 4 nesta quarta-feira (24), com alta de 1,66%, o dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 3,986. A maior cotação desde o período eleitoral de 2018. É o maior valor de comercialização desde o