2013 Agosto | Luis Antonio 13



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Vereador - Luis Antônio
Acontecendo


Arquivo do mês: Agosto 2013

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O mensalão tucano aconteceu antes do mensalão petista, e uma investigação sobre ele ajudaria a esclarecer vários pontos obscuros do que aconteceria mais tarde. A lógica mandava, portanto, que o julgamento do caixa 2 da campanha de Eduardo Azeredo ocorresse antes. Mas predominou uma outra lógica, a política, sob orientação da mídia. E o presidente Ayres Britto obedeceu caninamente as orientações de seus patrões, a família Marinho.

O vídeo abaixo, preparado pelo site Congresso em Foco, revela os adiamentos sucessivos de Britto, com apoio de outros ministros, do julgamento do mensalão tucano.

Note a calma de Joaquim Barbosa, que em certo momento diz que “tanto faz” para ele adiar ou julgar imediatamente. Tão diferente do Barbosa furiosamente apressado que estamos vendo agora, não?

Abaixo, trechos da matéria do Congresso em Foco, assinada por Eduardo Militão:

(…)O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto disse que o calendário do mensalão do PT foi uma das muitas “intercorrências” para adiar ovalerioduto do PSDB. “Qual foi a intercorrência? O mensalão. Nós fizemos o calendário da AP 470 e fizemos uma pauta temática para ganhar um pouco de tempo enquanto não viesse o julgamento do mensalão. Uma pauta com processos de maior relevância”, disse ele à reportagem. “Com essa definição, não houve mais condições de julgar esse processo [do PSDB]”, continuou.

O julgamento do mensalão mineiro foi adiado duas vezes em maio do ano passado, umas delas após um aviso antes do lanche dos ministros, revela vídeo publicado pelo Congresso em Foco(veja aqui). Duas semanas depois, em 6 de junho de 2012, o STF definiria o calendário do valerioduto do PT. Nas últimas semanas de agosto, o site questionou os ministros que participaram desses julgamentos se houve algum eventual pedido de adiamento do mensalão mineiro em razão da definição de calendário do outro mensalão. Nenhum deles disse se recordar dos fatos na sessão de 23 de maio.

Em entrevista à reportagem, Ayres Britto disse que provavelmente não obteve “condições” de pautar o processo na volta do intervalo.

De acordo com o ex-ministro, “desde o começo”, o processo do valerioduto mineiro sofreu “intercorrências”, como pedidos de colegas para não julgar, ministros ausentes, sugestão para julgar em conjunto com outros processos. Ele apresentou seu voto para julgamento em 2005, mas o caso só foi ao plenário sete anos depois, em 2012, já na sua gestão.

Britto afirma que colocar o valerioduto do PSDB em votação naquela sessão de 23 de maio de 2012 – depois do lanche, mesmo com o seu aviso prévio – poderia causar atritos entre os ministros. “Se eu não levei, é porque seria temerário colocar em votação, do ponto de vista de um dissenso mais sério, e comprometendo uma pauta temática”, afirmou. “Sou uma pessoa atenciosa, eu converso com os ministros, ninguém vai me negar essa qualidade de buscar a todo instante o consenso.”

A pauta temática era um conjunto de processos de impacto social que Ayres Britto concordou com os ministros para julgarem durante sua gestão antes do julgamento do mensalão do PT, que consumiu seis meses de trabalho do Supremo. Entre os projetos, estavam cotas sociais e questões indígenas (…)

A matéria do Congresso em Foco pode ser lida, na íntegra, aqui.

 

O Conversa Afiada reproduz es-pe-ta-cu-lar post do Fernando Brito, que trabalhou com o engenheiro Leonel Brizola: dá para perceber …

COREM DIANTE DESTA NEGRA, DOUTORES! ELA TEM O QUE OS SENHORES PERDERAM

“Somos médicos por vocação, não nos interessa um salário, fazemos por amor”, afirmou Nelson Rodrigues, 45.

“Nossa motivação é a solidariedade”, assegurou Milagros Cardenas Lopes, 61

“Viemos para ajudar, colaborar, complementar com os médicos brasileiros”, destacou Cardenas em resposta à suspeita de trabalho escravo. “O salário é suficiente”, complementou Natasha Romero Sanches, 44.

Poucas frases, mas que soam  como se estivessem sendo ditas por seres de outro planeta no Brasil que vivemos.

O que disseram os primeiros médicos cubanos do  grupo que vem para servir onde médicos brasileiros não querem ir deveria fazer certos dirigentes da medicina brasileira reduzirem à pequenez de seus sentimentos e à brutalidade de suas vidas, de onde se foi, há muito tempo, qualquer amor à igualdade essencial entre todos os seres humanos.

Porque gente que não se emociona com o sofrimento e a carência de seus semelhantes, gente que se formou, muitas vezes, em escolas de medicina pagas com o imposto que brasileiros miseráveis recolheram sobre sua farinha, seu feijão, sua rala ração, gente que já viu seus concidadãos madrugando em filas, no sereno, para obter um simples atendimento, gente assim    não é civilizada, não importa quão bem tratadas ejam suas unhas, penteados os seus cabelos e reluzentes seus carros.

Perto desta negra aí da foto, que para vocês só poderia servir para lavar suas roupas e pajear seus ricos filhinhos, criados para herdar o “negócio” dos pais, vocês nao passam de selvagens, de brutos.

Vocês podem saber quais são as mais recentes drogas, aprendidas nos congressos em locais turísticos, custeados por laboratórios que lhes dão as migalhas do lucro bilionário que têm ao vender remédios. Vocês podem conhecer o último e caro exame de medicina nuclear disponível na praça a quem pode pagar. Vocês podem ser ricos, ou acharem que são, porque de verdade não passam de uma subnobreza deplorável, que acha o máximo ir a Miami.

Mas vocês são lixo perto dessa negra, a Doutora – sim, Doutora, negra, negrinha assim!- Natasha é, eu lhes garanto.

Sabem por que? Por que ela é capaz de achar que o que faz é mais importante do que aquilo que ganha, desde que isso seja o suficiente para viver com dignidade material. Porque a dignidade moral ela a tem, em quantdade suficiente para saber que é uma médica, por cem, mil ou um milhão de dólares.

Isso, doutores, os senhores já perderam. E talvez nunca mais voltem a ter, porque isso não se compra, não se vende, não se aluga, como muitos dos senhores, para manter o status de pertenceram ao corpo clínico de um hospital, fazem com seus colegas, para que dêem o plantão em seus lugares.

Os senhores não são capazes de fazer um milésimo do que ela faz pelos seres humenos, desembarcando sob sua hostilidade num paìs estrangeiro, para tratar de gente pobre que os senhores nao se dispõem a cuidar nem querem deixar que se cuide.

Os senhores nao gritaram, não xingaram nem ameaçaram com polícia aos Roger Abdelmassih, o estuprador, nem contra o infleiz que extorquiu R$ 1.200 para fazer o parto de uma adolescente pobre, nem contra os doutores dos dedos de silicone, nem contra os espertalhóes da maternidade paulista cuja única atividade era bater o ponto.

Eles não os ameaçaram, ameaçaram apenas aos pobres do Brasil.

Estes aì, sim, estes os ameaçam. Ameaçam a aceitação do que vocês se tornaram, porque deixaram que a aspiração normal e justa de receber por seu trabalho se tornasse maior do que a finalidade deste próprio trabalho, porque o trabalho é um bem social e coletivo, ou então vira mero negócio mercantil.

É isto que estes médicos cubanos representam de ameaça: o colocar o egoísmo, o consumismo, o mercantilismo reduzidos ao seu tamenho, a algo que não é e nem pode ser o tamanho da civilização humana.

Aliás, é isso que Cuba, há quase 55 anos, representa.

Um país minùsculo, cheio de carências, que é capaz de dar a mão dos médicos a este gigante brasileiro.

E daí que eles exportem médicos como fonte de receita? Nós não exportamos nossos meninos para jogar futebol? O que deu mais trabalho, mais investimento, o que agregou mais valor a um país: escolas de medicina ou esteiras rolantes para exportar seus minérios?

É por isso que o velhissimo Fidel Castro encarna muito mais a  juventude que estes yuppiescoxinhas, cuja vida sem causa  cabe toda dentro de um cartão de crédito.

Eu agradeço à Doutora Natasha.

Ela me lembrou, singelamente, que coração é algo muito maior  do que aquele volume que aparece, sombrio, nas tantas ressonâncias, tomografias e cateterismos porque passei nos últimos meses.

Ele é o centro do progresso humano, mais do que o cérebro, porque é ele quem dá o norte, o sentido, o rumo dos pensamentos e da vida.

Porque, do contrário, o saber vira arrogância e os sentimentos, indiferença.

E o coração, como na música de Mercedes Sosa, una mala palabra.

Por: Fernando Brito

Oligarcas, coronéis, hipócritas, conservadores, reacionários vocês já morreram! Essa nação já não vos pertence! Esse novo país que ora se alevanta e se agiganta não lhes pertence!

Os “donos do Brasil” estão nus!

Isso é o que parece nos gritar as manchetes da revista Isto É nessas últimas semanas. A mais recente foi: “A conta secreta do propinoduto – Documentos vindos da Suíça revelam que conta conhecida como “Marília”, aberta no Multi Commercial Bank, em Genebra, movimentou somas milionárias para subornar homens públicos e conseguir vantagens para as empresas Siemens e Alstom nos governos do PSDB”.

E agora, José [Serra]? E agora, Geraldo Alckmin? E agora, FHC? E agora, Merval Pereira? E agora, Sardenberg? E agora, Joaquim Barbosa?

E agora, todos os hipócritas e falsos moralistas desse país?

Os supostos e pretensos “donos do Brasil” [bem como seus áulicos e sabujos] estão nus!

Isso é o que parece nos gritar, todos os dias, a “criança” em sua ingenuidade e pureza. Não propriamente a criança da famosa e tão conhecida fábula que, finalmente, num arroubo de “criancice”, teve a “coragem” e o “desprendimento” de dizer que o rei estava nu. Não exatamente essa criança da fábula da roupa nova do rei, mas essa outra “criança”, que surge a cada nova manhã: o novo Brasil.

Esse novo país que brota a despeito dos seus líderes e governantes de um passado de ruínas, que, tal qual fantasmas, insistem em nos assombrar e amedrontar com suas sombras e semblantes crispados, medonhos, carrancudos. Mas já não temos o medo a nos subjugar.

Quem vai dizer aos mortos o seu derradeiro caminho, para que não nos assombrem mais? Quem vai lhes dar a definitiva e cristalina mensagem: de que já morreram; que já “passaram”; que seu tempo já passou?

Oligarcas, coronéis, hipócritas, conservadores, reacionários vocês já morreram! Essa nação já não vos pertence! Esse novo país que ora se alevanta e se agiganta não lhes pertence! Pertence ao povo brasileiro, protagonista de seu destino.

Esse novo país que construímos com a argamassa da coragem e da vontade, desde garotos, guiados pelo farol da utopia, movidos pelo “tesão” libertário e libertador.

Essa argamassa, esse nosso artesanato, que moldamos com arte e engenho, foi ungid

Bancada do Jornal Nacional (Divulgação)

Ele imagina que tudo pode ser compreendido sem o mínimo esforço intelectual”. Reflexões do jornalista Celso Vicenzi em torno de poema de Brecht, no século 21

Celso Vicenzi, no Outras Palavras / Pragmatismo Político

“Ele ouve e assimila sem questionar, fala e repete o que ouviu, não participa dos acontecimentos políticos, aliás, abomina a política, mas usa as redes sociais com ganas e ânsias de quem veio para justiçar o mundo. Prega ideias preconceituosas e discriminatórias, e interpreta os fatos com a ingenuidade de quem não sabe quem o manipula. Nas passeatas e na internet, pede liberdade de expressão, mas censura e ataca quem defende bandeiras políticas. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. E que elas – na era da informação instantânea de massa – são muito influenciadas pela manipulação midiática dos fatos.

Não vê a pressão de jornalistas e colunistas na mídia impressa, em emissoras de rádio e tevê – que também estão presentes na internet – a anunciar catástrofes diárias na contramão do que apontam as estatísticas mais confiáveis. Avanços significativos são desprezados e pequenos deslizes são tratados como se fossem enormes escândalos. O objetivo é desestabilizar e impedir que políticas públicas de sucesso possam ameaçar os lucros da iniciativa privada. O mesmo tratamento não se aplica a determinados partidos políticos e a corruptos que ajudam a manter a enorme desigualdade social no país.

Questões iguais ou semelhantes são tratadas de forma distinta pela mídia. Aula prática: prestar atenção como a mídia conduz o noticiário sobre o escabroso caso que veio à tona com as informações da alemã Siemens. Não houve nenhuma indignação dos principais colunistas, nenhum editorial contundente. A principal emissora de TV do país calou-se por duas semanas após matéria de capa da revista IstoÉ denunciando o esquema de superfaturar trens e metrôs em 30%.

O analfabeto midiático é tão burro que se orgulha e estufa o peito para dizer que viu/ouviu a informação no Jornal Nacional e leu na Veja, por exemplo. Ele não entende como é produzida cada notícia: como se escolhem as pautas e as fontes, sabendo antecipadamente como cada uma delas vai se pronunciar. Não desconfia que, em muitas tevês, revistas e jornais, a notícia já sai quase pronta da redação, bastando ouvir as pessoas que vão confirmar o que o jornalista, o editor e, principalmente, o “dono da voz” (obrigado, Chico Buarque!) quer como a verdade dos fatos. Para isso as notícias se apoiam, às vezes, em fotos e imagens. Dizem que “uma foto vale mais que mil palavras”. Não é tão simples (Millôr, ironicamente, contra-argumentou: “então diga isto com uma imagem). Fotos e imagens também são construções, a partir de um determinado olhar. Também as imagens podem ser manipuladas e editadas “ao gosto do freguês”. Há uma infinidade de exemplos. Usaram-se imagens para provar que o Iraque possuía depósitos de armas químicas que nunca foram encontrados. A irresponsabilidade e a falta de independência da mídia norte-americana ajudaram a convencer a opinião pública, e mais uma guerra com milhares de inocentes mortos foi deflagrada.

O analfabeto midiático não percebe que o enfoque pode ser uma escolha construída para chegar a conclusões que seriam diferentes se outras fontes fossem contatadas ou os jornalistas narrassem os fatos de outro ponto de vista. O analfabeto midiático imagina que tudo pode ser compreendido sem o mínimo de esforço intelectual. Não se apoia na filosofia, na sociologia, na história, na antropologia, nas ciências política e econômica – para não estender demais os campos do conhecimento – para compreender minimamente a complexidade dos fatos. Sua mente não absorve tanta informação e ele prefere acreditar em “especialistas” e veículos de comunicação comprometidos com interesses de poderosos grupos políticos e econômicos. Lê pouquíssimo, geralmente “best-sellers” e livros de autoajuda. Tem certeza de que o que lê, ouve e vê é o suficiente, e corresponde à realidade. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o espoliador das empresas nacionais e multinacionais.”

O analfabeto midiático gosta de criticar os políticos corruptos e não entende que eles são uma extensão do capital, tão necessários para aumentar fortunas e concentrar a renda. Por isso recebem todo o apoio financeiro para serem eleitos. E, depois, contribuem para drenar o dinheiro do Estado para uma parcela da iniciativa privada e para os bolsos de uma elite que se especializou em roubar o dinheiro público. Assim, por vias tortas, só sabe enxergar o político corrupto sem nunca identificar o empresário corruptor, o detentor do grande capital, que aprisiona os governos, com a enorme contribuição da mídia, para adotar políticas que privilegiam os mais ricos e mantenham à margem as populações mais pobres. Em resumo: destroem a democracia.

Para o analfabeto midiático, Brecht teria, ainda, uma última observação a fazer: Nada é impossível de mudar. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual.

O analfabeto político

O pior analfabeto, é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha
Do aluguel, do sapato e do remédio
Depende das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que
Se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política.
Não sabe o imbecil,
Que da sua ignorância nasce a prostituta,
O menor abandonado,
O assaltante e o pior de todos os bandidos
Que é o político vigarista,
Pilanta, o corrupto e o espoliador
Das empresas nacionais e multinacionais.

Bertold Brecht

O último Datafolha é cruel para os tucanos

Paulo Nogueira O último Datafolha é particularmente penoso para o PSDB.

Aécio é um candidato morto em vida, fica claro. Não pegou nem no rastro da queda de Dilma com as chamadas Jornadas de Junho.

2014 pode ter dois cenários, e nenhum inclui o PSDB.

Num, Dilma é protagonista sozinha, e leva no primeiro turno, com a popularidade recuperada.

No outro, Dilma não inteiramente refeita, haverá espaço para a candidatura antigoverno. Mas este papel será de Marina, não de Aécio.

2014 tende a ser a primeira vez, em muito tempo, em que os tucanos disputam sem chance de vencer, na condição de figurantes.

Se não bastasse a presidência, o governo de São Paulo parece sob real ameaça, dada a fraqueza de Alckmin e consideradas as denúncias de propinas que turvam a imagem de castidade do PSDB. Tudo sugere que Padilha, projetado pelo prestígio de Lula e pelo programa Mais Médicos, será um candidato forte.

Por fim, os tucanos enfrentam ainda os delírios presidenciais de Serra, um homem que acredita que nasceu para ser presidente contra a vontade tantas vezes reiterada dos brasileiros.

Para usar uma imagem futebolística, o PSDB está ameaçado de rebaixamento. Pode ir para a Série B.

Que fazer?

Num plano muito maior, uma organização degringolava e parecia morta até aparecer alguém extraordinário: a Igreja Católica.

Francisco está, simplesmente, reinventando a Igreja, com muita pregação e muita ação.

A primeira coisa: pôs prioridade total nos pobres, até porque são eles que vão encher ou não as missas, se levarmos em conta que em nossos dias o mundo se divide entre os 99% e o 1%.

O PSDB está alinhado com o 1%. É o queridinho da voz do 1%, a mídia, mas é cada vez mais rejeitado pelos 99%. Quando você ouviu algum tucano criticar a desigualdade social?

Quem tem mais votos e elege são os 99%, por mais dinheiro e voz que o 1% tenha.

Quem é o Francisco do PSDB?

Sabemos quem não é: FHC, Serra, Alckmin e Aécio. Mas isso não quer dizer que ele não exista.

Ninguém conhecia Bergoglio fora de um círculo restrito, e ele está aí, promovendo uma revolução.

O mérito da Igreja foi alçá-lo ao poder. Para fazer isso, suas lideranças – incluído aí Ratzinger – tiveram que reconhecer que o caminho que estava sendo seguido levava ao cemitério.

O PSDB pode encontrar seu Francisco. Mas para isso tem que entender que sem ele vai para a Série B – e passar a procurá-lo em regime de urgência.

A pesquisa Datafolha divulgada neste fim de semana, mostra recuperação de 6 pontos na popularidade da presidenta Dilma, e subida de 5 pontos nas intenções de voto. Dilma foi quem mais cresceu em relação à última pesquisa de julho, feita após as manifestações. Em todos os cenários, a presidenta cresceu, aumentando a distância da segunda colocada, Marina Silva.

Tchau, Aécio!

Aécio teve o pior desempenho, caindo em todos os cenários. Como se não bastasse estar empacado no terceiro lugar, mesmo com a estrutura partidária do PSDB e apoio da TV Globo, da velha imprensa, dos banqueiros e dos grandes empresários mais ricos, ele caiu 4 pontos no cenário mais provável, e aparece com metade das intenções de votos de Marina. Quando o nome de Serra é inserido, o tucano paulista se sai pouca coisa melhor, inclusive 4 pontos na frente de Aécio, caso concorressem os dois, para desespero do mineiro. O problema de Serra é sua elevadíssima rejeição confirmada pela pesquisa.

Marina também se saiu bem neste Datafolha, oscilando 3 pontos para cima no cenário mais provável.

Quando o nome de Joaquim Barbosa é inserido, também mostra queda de 4 pontos, ficando entre 8% e 11% na preferência dos pesquisados, dependendo do cenário. O problema, de novo, caiu no colo de Aécio, pois Barbosa aparece empatado com o tucano nestes cenários, o que mostra a fragilidade da candidatura tucana. Aliás, será que Aécio vai desistir e sair candidato a governador de Minas? Ou finalmente aceitaria ser vice de Serra, formando a chapa “unidos pelo propinão tucano”?

A pesquisa demonstra que a grande queda de Dilma que aconteceu em junho e julho, após as manifestações, está levando o povo a separar o joio do trigo entre os políticos, pelo menos em parte.

Dilma que mostrou trabalho, esforço e honestidade de propostas para atender os descontentamentos, apesar da má vontade de boa parte do Congresso Nacional em se mexer para atender à propostas inadiáveis como a reforma política e consultas populares, ela começa a recuperar a popularidade e continua com as melhores chances de ser reeleita.
Aécio, com a cara de político oligarca e cheio de vícios políticos rejeitados pelas ruas, e que se escondeu do povo, despencou. Eduardo Campos, de perfil muito parecido com Aécio, ficou praticamente na mesma, oscilando um ponto para cima. Marina Silva, que também anda meio escondida, está aproveitando a onda para capturar votos de desiludidos que estariam predispostos a votar nulo, o que ainda não dá muita consistência em sua candidatura, pois esta onda de desilusão tem um teto e não durará para sempre. Quem deve crescer e se firmar de fato é quem apostar na politização dos debates e no enfrentamento para conquistar soluções nos grandes problemas nacionais, como está fazendo Dilma. O cidadão quer um país melhor, mais cidadania com saúde, educação e prosperidade para todos, um judiciário e um ministério público que faça a lei da ficha limpa funcionar de verdade e não deixe ninguém roubar impunemente, um sistema político com menos influência do poder econômico e com mais participação popular. O cidadão, a grande maioria, não quer simplesmente votar por desilusão.

Apesar do presidente Lula não ser candidato em 2014 e deixar claro que sua candidata é Dilma, o Datafolha insistiu em testar seu nome, provavelmente como intenção de enfraquecer Dilma. Em todos os cenários, Lula aparece vencendo no primeiro turno. De qualquer forma, isso demonstra que Lula ainda será o grande cabo eleitoral de Dilma, dos candidatos a governadores e demais candidatos em 2014. Melhor para Dilma.

Conselheiro é investigado por acusação de recebimento de propina da empresa francesa Alstom por contratos com o Metrô. Ele nega, mas o MP prossegue na investigação

Em agosto de 2009, a juíza Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi, da 13ª Vara da Fazenda Pública da capital paulista, determinou o sequestro de bens do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Robson Marinho, incluindo US$ 1 milhão depositado em contas na Suíça, segundo o Ministério Público paulista. O motivo foi a acusação de recebimento de propina da empresa francesa Alstom por contratos com o Metrô. Marinho negou, mas o MP viu motivos robustos para prosseguir na investigação, que corre em sigilo.

Em outubro de 2011, Marinho tentou impedir a quebra de seus sigilos bancários, autorizados por ordem judicial, alegando prescrição fiscal. O Tribunal de Justiça de São Paulo indefiriu, explicando que não se tratava de ação fiscal e sim “enriquecimento ilícito em detrimento do erário”, por isso continuava autorizada a quebra do sigilo.

Essa situação deixou Marinho insustentável para continuar na cadeira de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, justamente o cargo responsável por aprovar a lisura das contas do governador, da administração estadual, inclusive de empresas estatais paulistas como o próprio Metrô. Insustentável porque a situação, aos olhos do cidadão, é aquela da raposa tomando conta do galinheiro.

Não se trata de pré-condenação sem o devido processo legal e direito à ampla defesa, coisa que está em curso. Trata-se de responder às investigações afastado desta função específica, incompatível com a situação. Mas não foi isso o que ocorreu. Já se passaram quatro anos, e Robson Marinho continua firme na cadeira de conselheiro, por mais insustentável que seja. Em junho último, foi ele o relator da aprovação das contas de 2012 do governador Geraldo Alckmin, como se nada estivesse acontecendo e como se fosse um cidadão acima de qualquer suspeita.

O quadro de anormalidade e impunidade que reina no tucanato de São Paulo se agrava quando sabemos que Robson Marinho é amigo e foi correligionário de Geraldo Alckmin de longa data. Ambos iniciaram carreira política no antigo MDB, ambos foram fundadores do PSDB, ambos são da mesma região do estado de São Paulo, o vale do Paraíba. Marinho fez sua carreira política a partir de São José dos Campos, e Alckmin, de Pindamonhangaba, cidades vizinhas. Ambos foram colegas no primeiro escalão do governo Mário Covas. Esse quadro mostra uma parceria muito forte entre os dois.

Por mais que a velha mídia paulista acoberte essa anomalia, as recentes delações de executivos da Siemens sobre formação de cartéis com outras empresas, entre elas a Alstom, para combinar licitações superfaturadas no Metrô e trens metropolitanos, ressuscita a indignação com a continuidade de Robson Marinho no TCE.

Se até agora havia uma misteriosa tolerância com uma situação insustentável no TCE, a permanência de Robson Marinho julgando contas de Alckmin colocará também o próprio governador tucano em situação delicada. Afinal, por que razão essa blindagem e tanta vista grossa? Será que uma mão lava a outra? É o que pensará o cidadão paulista?

Causa desconforto também o Ministério Público Estadual ainda não ter pedido à Justiça o afastamento de Robson Marinho do TCE. Ainda que os tribunais indefirissem por algum eventual dispositivo legal garantista, pelo menos ficaria registrado como recomendação de zelo pela coisa pública, como um Termo de Ajuste de Conduta.

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br

por Helena Sthephanowitz

O título desta coluna é uma reverência a Luiz Fernando Veríssimo que, em meados dos anos 80, escreveu uma crônica também assim intitulada. Naquele texto, o consagrado escritor, com deliciosa ironia, falava sobre o crescente empobrecimento da classe média.  Eram tempos difíceis, de que muitos parecem esquecer-se. Mas a classe média não ficou pobre e hoje, em novo cenário, o que se vê, pelo contrário, é a ascensão social de segmentos até então excluídos. Chega-se a mencionar uma “nova classe média”, mas essa, creio,  é uma expressão forçada. O que há são algumas dezenas de milhões de miseráveis ou pobres que, em função de políticas públicas, estão alcançando um nível, ainda insuficiente, de dignidade e cidadania.     A verdadeira classe média, a da crônica do Veríssimo – a tal que, naquela época, escapou da pobreza – essa não vê agora com bons olhos a “perigosa” aproximação da classe “C” e põe o seu bloco na rua, com a hipocrisia de sempre, parecendo defender aquilo que, na realidade, não quer que aconteça.  As paralisações dos médicos são emblemáticas nesse sentido e não é por acaso que ocorrem no exato momento em que estão ameaçados os seus interesses corporativos. Em entrevista concedida à revista “Isto É”, de 24.07.2013, o escritor Ferreira Gullar declarou, possivelmente encantado com as últimas manifestações, que “quem faz revoluções é a classe média”.  Em abono da sua tese, citou, entre outros, Marx, Fidel e Lenin, que, sendo da classe média, teriam conduzido, na teoria e/ou na prática, processos revolucionários. Ferreira Gullar é um dos meus poetas prediletos, particularmente na sua fase de artista engajado, com produção de forte cunho social, nos chamados “anos de chumbo”. Hoje, porém, não me sensibilizam nem um pouco as suas posturas que namoram o neoliberalismo. Em relação ao que afirmou, penso que se esqueceu de mencionar que as históricas personalidades  citadas foram revolucionárias justamente por não aceitar os valores de sua classe. Foram, por assim dizer, ovelhas desgarradas do rebanho da burguesia… Na caracterização da classe média – que conheço bem porque a ela pertenço -  acho que, pelo menos em nosso país, longe de promover revoluções, ela é bem mais chegada a  golpes… Seus valores contraditórios a fazem, não raro,  acender velas a Deus e ao Diabo. Os seus arautos se dizem preocupados com a Educação, apregoam a necessidade de um ensino de qualidade por parte do Estado, mas, bem lá no fundo, sabem que a perpetuação de um ensino público deficiente garante para seus filhos – nos colégios particulares – a permanência de distinções que a desigualdade propicia. Uma espécie de reserva de domínio dos privilégios. Lembro-me bem de como foram dinamitados os CIEPS, um projeto de Darcy Ribeiro diretamente voltado para atacar e resolver o problema na raiz. Ainda me recordo do furor conservador que vociferava contra os gastos de Brizola com cada escola integral, considerado dinheiro que “daria para fazer várias escolas menores”. Tradução: para os pobres, a quantidade; para os ricos, a qualidade…   No campo da saúde, a classe adora fazer piadinhas com o SUS, um dos maiores sistemas públicos de saúde do planeta. Divertem-se destacando os seus defeitos – que existem, é claro -  e deliberadamente omitem as múltiplas atividades positivas desses segmentos no atendimento aos milhões de brasileiros que só têm o SUS como solução. Masoquistas, talvez, parecem gostar de planos de saúde que achacam seus bolsos, ou de médicos que fazem da  profissão um negócio. Pouco se lhes dá se existem 700 municípios no país sem um profissional da área. Ao invés de festejar as vitórias registradas no IDH, que deu saltos nos últimos anos e que tem, esse sim, tudo a ver com a felicidade dos brasileiros, a nossa classe média prefere seguir o posicionamento dos suspeitíssimos  gurus e “especialistas” que elegem como divindades o PIB, o Mercado, a Bolsa, o dólar… E, fiéis a uma mídia calhorda,  estão sempre dispostos a encaixar um “mas” ou um “porém”, cada vez que se deparam com uma vitória da cidadania na luta contra a desigualdade.   Quando faltam todos os seus  argumentos –invariavelmente colhidos no Jornal Nacional ou naquela conhecida revista semanal -, adoram indignar-se com a corrupção. Não com toda e qualquer corrupção,  como conviria aos espíritos realmente preocupados com a ética,  mas com uma de endereço certo, carimbada exclusivamente  naqueles que lhe querem retirar certa exclusividade na zona de conforto. Não lhes preocupam, de forma alguma, os malfeitos dos seus ídolos na mídia ou na política –  convenientemente omitidos -  ou mesmo os seus próprios deslizes do cotidiano, materializados em propinas a guardas de trânsito, sonegações no imposto de renda, logros na alfândega e coisas do gênero…  A filósofa Marilena Chuaí talvez exagere ao caracterizar a classe média como fascista, violenta e ignorante. Prefiro achar que esse grupo social é desinformado, egoísta e hipócrita, com falso discurso voltado para o social. E, sem muita filosofia,  convido os leitores a ouvir os críticos versos do cantor popular Max Gonzaga, na música “Sou classe média”, cujas frases finais apregoam: “Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta / Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida…”   Nota do autor – O Urariano e a Leila já traduziram o sentimento que acredito seja o de todos os que, como eu, colocam aqui no Dr as suas ideias, seus sonhos, suas esperanças e, muitas vezes, sua revolta.  Assim, por ocasião da passagem dos 12  anos do site, quero  encampar totalmente as palavras desses dois magníficos colegas, deixando registrado  o meu orgulho de participar desse time de colunistas,  os meus agradecimentos pela fidalguia de sempre do Eliakim  e  o meu apreço pela contribuição dos leitores/comentaristas, que, com a diversidade de suas opiniões,  constroem esse invulgar  espaço de liberdade e, por isso, de cidadania. Rodolpho Motta LimaAdvogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.

Direto da Redação.